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Consórcio imobiliário e a alta no preço dos imóveis

11comentários

Consórcio imobiliário e a alta no preço dos imóveisÉ nítida a mudança no mercado imobiliário brasileiro. A maior oferta de crédito, os incentivos trazidos pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ e a migração sócio-econômica da população aumentaram (muito!) a demanda por imóveis, especialmente aqueles focados na classe média. Pense em alguns amigos ou familiares mais próximos, certamente um deles está negociando ou acabou de negociar a compra de um imóvel.

Como você já sabe, o aumento da procura por casas e apartamentos eleva os preços de venda e as margens dos negócios. O princípio é simples e se aplica sempre que há negociação: se muitos querem comprar, é possível vender mais caro, afinal há grandes chances de o negócio se concretizar dessa forma. Outra variante do pensamento também existe: se alguém quer muito comprar, provavelmente está disposto a pagar mais pelo bem.

O fato é que o preço dos imóveis disparou. Segundo dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), o preço médio do metro quadrado de imóveis de dois dormitórios na capital paulista teve alta de 39,4% entre 2006 e 2009. A média indica o movimento geral do mercado, mas certas regiões viram os preços saltar mais de 70% no período.

Na pele do consorciado…
Ao optar por um consórcio imobiliário, o participante estabelece um padrão, uma referência para o cálculo do valor da carta de crédito e sua cota de participação. Suponha que, em 2006, você optou por um consórcio tendo como referência um apartamento de R$ 150 mil. O mercado estava “normal”, a referência era válida.

Em 2009, depois de alguma espera, sua vez chegou e você foi contemplado. Para sua surpresa, aquele imóvel referência, antes no valor de R$ 150 mil, passou a custar R$ 250 mil. Sua carta de crédito foi devidamente corrigida pelo indicador comumente usado nos consórcios deste tipo, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que acumulou alta de 28,8% no período, mas o valor ficou longe do necessário.

A matemática é simples: o dinheiro disponível para a compra do imóvel foi corrigido em cerca de 30%, mas o imóvel ficou 66% mais caro. A conta não fecha. A sensação é frustrante! A edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo dedicou matéria que mostra exemplos reais de consorciados que passaram por situações como essa.

Então consórcio imobiliário não é bom?
Retomo minha polêmica opinião: consórcio não pode ser considerado um investimento. Não recomendo, muito embora ele seja melhor que simplesmente não poupar. Ao optar por participar da modalidade, você paga para que alguém gerencie as somas amealhadas contando com a sorte para estar entre os primeiros a serem sorteados. Se sair logo, ótimo. Do contrário, não vale a pena. Por isso é comum chamarmos o consórcio de “poupança forçada”.

A alternativa? Prefira separar você a quantia a ser investida e a gerencie de forma pró-ativa. O ganho em relação à inflação pode ser obtido com combinações simples de investimento direto em títulos públicos, fundos mistos, caderneta de poupança e ações, especialmente se o prazo médio de contribuição for maior que cinco anos. O valor acumulado será muito maior que o da carta de crédito contratada e que a correção normalmente aplicada nestes contratos.

“O resultado financeiro do consórcio depende da sorte. Se a pessoa é contemplada logo, o consórcio equivale a um financiamento barato. Se a pessoa é contemplada do meio para o final, é uma poupança em que a pessoa paga juros ao invés de recebê-los”Roy Martelanc, professor de finanças da USP, para a Folha.

Faça sua própria poupança aprendendo a investir com disciplina. Isso é básico. Se ainda preferir o consórcio, dedique mais atenção aos detalhes do mercado imobiliário. Avalie a situação dos preços na região onde pretende comprar sua casa, levante o percentual médio de valorização dos últimos anos e incorpore isso no valor principal da carta de crédito antes de contratar o consórcio ou como uma segunda cota.

Evite surpresas ao ser contemplado e prefira não contar com a sorte. Ela ajuda, mas não resolve.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • Xico

    Conrado, e qual a sua opinião quanto a consórcio de carros?
    O valor é menor, o prazo é menor, as chances de “melar” são menores.

    Estou pensando em dar um lance no 4o. mês, por exemplo, de 40% do valor do carro, e pagar o resto ao longo do tempo.

    Precisarei do carro pois vou sair de casa, e o consórcio me parece a alternativa menos prejudicial.

    As taxas do financiamento não me atraem, nem as taxas do leasing.

  • http://www.tiqueimoveis.com.br/ Fernanda

    Consórcio não é exatamente um investimento mesmo. É apenas um modo de adquirir algo com a chance de pagar a longo prazo (sendo que essa chance lhe custa todos adicionais dos juros)…Mas eu concordo que vale mais a pena do que simplesmente não poupar. É um método válido de adquirir algo, porém anda-se exagerando nisso. Essa alta no preço dos imóveis se dá justamente por toda população que antes não tinha condições de adquirir um imóvel(e, talvez, nem mesmo atualmente tenha) e agora pode financiar livremente. Creio que daqui a pouco terão de cessar as largas opções de crédito oferecidas, pois duvido que nossos bancos tenham como suportar uma demanda tão grande ou maior do que a atual…

  • F78M

    Olá,

    confesso que as leituras a respeito de consórcios me deixou um pouco assustada. Comecei com um consórcio na Caixa, e estou juntando dinheiro na poupança por um bom tempo já (não o suficiente para comprar nada à vista, mas prevendo que o valor do imóvel seja maior que o valor da carta). Como não tenho pressa, ainda, pelo menos, optei por esse tipo de negócio; também não entrei com o pensamento de que seria sorteada logo de imediato.
    Bom, Navarro, tu acha que poupando dinheiro “por fora” para aumentar o valor para aquisição do imóvel é uma boa atitude para quem já adquiriu o consórcio?
    Parabéns pelo blog. Nós, os retardados em finanças, agradecemos.
    Obrigada
    Fernanda

  • http://www.imoveisceara.com/ Nuno Sobral

    Muito bom artigo, realmente o consórcio não pode ser considerado um investimento. Além disso, com as facilidades de obter financiamento hoje em dia, o consórcio cada vez perde mais o sentido. Hoje em dia quase todo o imóvel pode ser financiado em até 80% do valor, e com prestações decrescentes, então se for imóvel Minha Casa Minha Vida, os benefícios são enormes…

  • http://EmConstrução! Gélis

    Normalmente que entra neste sistema é para multiplicar patrimônio, e já dispõem de estabilidade financeira não quer correr riscos em outros investimentos.
    Vale lembrar a importância em fazer pesquisas referente à administradora que vai cuidar do seu dinheiro. ISSO É MUITO IMPORTANTE.
    Pesquisa de comportamento do Grupo que você vai entrar, é de grande valia.

    Espero ter contribuído com algo.
    Abraço.

  • Alessandro Cortes

    Se você for juntar dinheiro para comprar o imovel a vista, possivelmente você irá se arrepender. O mercado está aquecido e os imoveis estão se valorizando numa velocidade espantosa. Compensa comprar financiado hj…. Pq num horizonte de 10 anos o valor do imovel em algumas cidades chegou a dobrar!
    Se você está juntando dinheiro para pagar a vista, voce deve se sentir um “cachorro correndo atrás do rabo” pq vc nunca alçando. Toda vez que vc acho que está quase dando pra comprar aquele apartamento e vc vai olhar o preço se assusta. Fiz isso por 7 anos e desisti. Comprei 2 empreendimentos em lançamento para entrega em 3 anos, pago as parcelas da chave q fica em torno de 25% do valor do bem até a entrega da chave. o restante do meu capital está em cdb (que rende mais q o incc que atualiza o valor do imovel), quando sair a chave eu já garanti o ap dos sonhos pelo valor justo (pois comprei somente a planta, so tem mato no local onde vai ser erquida a torre) como comprei 2 vou vender 1 e ficar com 1…. espero que em tres anos ele valorize em torno de 30%.

    Façam esse reflexão. Há sete anos atras passei em um stand de vendas para olhar um ap na planta com previsao de entrega em 3 anos (VALOR 48mil, 2/4), passado esses 3 anos as primeiras torres foram entregues (valor 78mil, 2/4),
    Com a criacao do minha casa minha vida (valor 108 mil, 2/4). ou seja se eu tivesse tido a “coragem” de comprar a 7 anos atras hoje, facil teria tido um retorno de 100% líquido. Agora comparem com outros investimentos de 7 anos pra ca??? o que deu mais… e isso que a regiao desse ap era na periferia….

    Moro em Goiania, e isso se repete em Brasilia com mais força, onde tem parentes.

    Meu primo comprou um ap no Guara I, cidade satelite de brasilia, por 67mil em 2002, (ap 2/4 com mais de 20 anos de contruido), hj pasmem, o imovel esta avaliado em R$ 200MIL (Meu primo rejeitou um oferta de um corretor interessado em ap nesse bloco).

    Porem, o imovel nao tem liquidez, as vezes vc demora pra vender e etc.

    Aconselho a destinar, 10% dos recursos em pre lancamentos (de grandes contrutoras) para revender proximo a entrega das chaves. 10% dos recursos na aquisição de um ap dos sonhos (em pre lancamento tbm, pagando uma parcela e entrada baixa) restante 80% aplica em qualquer coisa que tenha liquidez diaria e que renda mais ou menos o que da o incc. (pra vc acompanhar o reajuste do valor que vc vai ter que pagar na entrega das chaves). COm esse 10% dos recursos que vc aplicou em pre lancamentos pra revender, vc deve ter uma valorização de no minimo 30% (nao do dinheiro q foi aplicado, e sim do valor do imovel que vc adquiriu) ai que vc vai ganhar a grana que falta para nao precisar financiar o ap pela CEF…..

    Exemplo (grosso modo) vc adquiri um ap de 200000 (no pre lancamento) paga por ele em 30 meses (media de prazo pra entrega), ent+parcelas R$ 20.000 (ent 5000 + 30parcelas de 250,00)+ parcela de entrega da chave R$ 7.500.
    So que quando o ap estiver pra ser entrege ele ja deve estar valendo uns 250.000,00 (VC PAGOU SOMENTE R$ 12.500,00+7500),tranquilamente vc podera pedir R$ 50.000,00 no agio.

    Não sei se vai funcionar comigo, mas conheço muita gente que esta ganhando dinheiro assim….. Eu comprei 2 assim.1 pra morar e outro pra revender…
    É melhor pagar INCC do que a valorização do imovel no mercado, essa é a logica. se o incc der 8% a.a a valorização do imovel da o dobro disso facil…… Sem contar q nos proximos anos teremos 2 eventos mundiais sendo realizados aki no brasil, o q deve deixar o mercado de imoveis ainda mais aquecido….. e bolha aki so quando o defcit habitacional diminuir muitissimo, oque ainda deve demorar bastante…..

    Abraço a todos e tomem coragem………..
    Quem quiser add sandrocorte@hotmail.com

  • Roberta

    olá, Conrado.
    Já tenho meu apartamento, mas estava pensando na possibilidade de ter consórcio para ser contemplada e vender com um ágio. O que você acha? Essa seria uma forma lucrativa de consórcio? Estava pensando em ter vários consórcios de valores mais baixos para aumentar minha chance de ser sorteada. Obrigada!

    • http://dinheirama.com/navarro Conrado Navarro

      Olá Roberta, obrigado por participar. Para ler mais sobre investimentos em consórcios, recomendo o material e as sugestões do colega Fabrício Peruzzo. Acesse http://www.investimentoemconsorcio.com.br/ e conheça melhor seu trabalho. Ele trata exatamente da questão dos consórcios como investimentos. Grande abraço.

  • Roberta

    Só mais uma pergunta! Já tenho uma carta de crédito contemplada no valor de R$74.000,00.
    O que seria mais lucrativo: deixar render (eles investem esse valor em títulos públicos) ou comprar alguma coisa na planta e depois vender?
    Obrigada!

  • Anna

    Puxa não me desanime com esta filosofia e quem compra vai ficar insegura, sou vendedora de consorcio de imoveis, acho um super negocio para pessoas indisciplinada e preguiçoso em poupar, como a maioria…

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