Vida a dois e a dificuldade de falar sobre dinheiroPor que é difícil falar sobre o dinheiro com seu(sua) parceiro(a)? Talvez a pergunta mais adequada seja: por que é difícil conversar quando a situação financeira do casal não está boa? Posso constatar pelos e-mails que recebo que a falta de diálogo focado nas questões financeiras é um problema para muitos casais. Penso que o primeiro fator que leva as pessoas a não falarem no assunto é o medo que sentem de mudar as estruturas existentes e comprometer o relacionamento[bb]. Sair da zona de conforto é um passo difícil mesmo quando não nos sentimos tão confortáveis assim!

Resolvi escrever esse artigo pensando nessas pessoas que me escrevem. Homens e mulheres angustiados buscando uma solução para a falta de diálogo familiar quando a situação financeira fica ruim. Não tenho a solução, até porque essa questão é comportamental e muito complexa para ser resolvida em algumas linhas.

O que respondo aos que me escrevem é que precisamos agir com Ternura, no Tempo certo e com Tenacidade. O principal é saber que o amor deve ser a base dos relacionamentos, pois são nesses momentos que a união deve ser fortalecida. Esse é com certeza o caminho, caso contrário sentimentos inferiores, como a raiva e o ressentimento acabam dominando a relação.

Muitos fatores levam um casal a terem dificuldades na hora de conversarem sobre as questões financeiras e a fazerem, juntos, um planejamento mensal. Como Gustavo Cerbasi[bb] diz em um de seus artigos, “cada um tem a sua maneira de lidar com dinheiro, não é difícil encontrar casais que não combinam nem um pouco nesse quesito. O resultado são brigas, discussões e até mesmo separações motivadas pela falta de planejamento financeiro”.

Pensando sobre as causas que levam muitos casais ao silêncio nas questões financeiras, principalmente quando a situação não é confortável, listo alguns aspectos comportamentais que observo em minha vida e em conversas com as pessoas sobre esse tema:

  • Não falar nos problemas é um modo fantasioso deles não existirem. Eles continuam existindo. Opção perigosa, pois quando passamos a viver esse silêncio, as dívidas viram uma bola de neve. Não ter controle sobre nosso mundo financeiro é a pior opção a ser feita;
  • Estilos de vida diferentes. Em alguns casais, esse aspecto é determinante no descontrole financeiro e pivô de muitas discussões. A diversidade é muito bem vinda e funciona quando há respeito e diálogo em busca de um denominador comum. Assim, o chamado “controlador ou pão duro” pode conviver sem problemas com “gastador”;
  • Exemplos de família. As experiências vividas na infância contribuem para formação de conceitos importantes em relação ao uso dinheiro e as diferenças nessa referência podem gerar atritos entre o casal;
  • Sentir-se refém. Quando a dependência financeira passa a ter um significado negativo, alguns comportamentos surgem, entre eles o medo de conversar sobre dinheiro e a aceitação do que o “provedor” decide sem questionamentos ou participação na tomada de decisões;
  • Rendas diferentes, conquistas diferentes e casais divididos. O problema nesse caso não é a diferença salarial e sim a falta de planejamento financeiro, de objetivos e decisões em comum.

O desafio de uma vida feliz a dois depende do esforço de ambos, cada um tem sua parcela de contribuição na construção de dias tranqüilos. Muitas vezes é preciso colocar os pés no chão e perceber que conto de fadas somente existe nos livros; na vida real não há espaço para ilusões e muito menos para a busca de seres humanos perfeitos.

Falo isso, pois existe uma tendência de idealização. Explico: acaba-se achando que o parceiro será capaz de atingir o modelo de príncipe ou princesa dos seus sonhos, colocando assim a solução dos problemas nas mãos do outro e aumentando o grau de exigência em relação a atitudes[bb] e comportamentos. Atenção! Tenho certeza que viver o real é muito melhor e capaz de surpresas incríveis.

Ao estabelecer uma relação estável, muitos acham que o parceiro também será um aliado na hora de pagar as contas e gerar receita. Nem sempre será fácil atingir esse modelo. Nesse sentido, a partilha das angústias e a educação financeira ajudam muito.

É preciso casar todos os dias. Lembre-se que é possível apaixonar-se pelo seu(sua) parceiro(a) várias vezes. As relações são dinâmicas e somos capazes de mudar para melhor quando quisermos. Falar sobre as questões financeiras com leveza é resultado de tudo isso. Abraço e felizes descobertas!

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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Comentários

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  • Anderson

    fui saber que minha esposa estava endividada ao receber uma carta do spc em nome dela em minha casa… ai a casa caiu literalmente … o montante ultrapassava 4.000.
    A solução? quitei todas as dívidas dela com minhas economias, limpando assim o nome e confisquei o cartão de crédito.
    O brabo são as malditas lojas das cidades do interior que vendem na confiança, o “há querida, vai pagando como vc puder” é música no ouvido da mulherada…
    Agora administro toda a grana inclusive os rendimentos dela e o que ela quiser comprar deve se reportar a mim, e deixei bem claro, se eu descobrir UMA conta pendurada é FIM!
    só assim para lidar com quem não tem controle financeiro. Posso estar sendo rispido ou machista, porém não estou (estamos no caso) endividado e com o orçamento comprometido

  • Passei esta dificuldade no início do meu casamento também, quando duas pessoas que vem de culturas diferentes passam a administrar o seu dinheiro juntas, as coisas realmente se complicam se o diálogo não for algo forte entre os dois.
    Inclusive, pela sua formação, acho que você é a pessoa certa para nos ajudar com nosso blog, que nasceu hoje mesmo. http://granaagora.blogspot.com .
    Montamos este blog para os empreendedores que buscam meios de divulgar sua empresa pela internet.
    Nos dê essa força por favor!!!
    Um abraço.

  • Karina

    Estou com muita dificuldade em relação a este assunto. Sempre valorizei cada centavo do meu dinheiro e conservei um valor reserva (emergencial). Morava em casa propria com meus pais, sou concursada estadual e comprei recentemente meu 1º carro, usado, mas à vista. Estou casada há 4 meses e sofro com o jeito irresponsavel de meu esposo. Os pais dele não firmam em um serviço por mais de 2 anos, não tem casa propria, nenhum veículo automotivo, o que ganham no mês, serve apenas para o mês e quando precisam de mais pegam emprestado com várias pessoas. Viver nesta vida “arriscada” é normal para meu amor, mas não pra mim! Isso tem me matado! Qualquer extra q obtenho, tenho sido “infiel financeiramente” e guardo sem mencionar (preocupada com o futuro). Ele, quando tem, não consegue guardar por + de 1 semana. Ainda permanecemos com contas separadas, mas diante disso, temo compartilhar futuramente. Não temos ainda todos os moveis e moramos de aluguel. Mas se sobra dinheiro, pra ele as prioridades são churrasqueira e videogame. E mesa, sofá, armario não são importantes??? Será q estou exagerando?? Tenho tentado, mas falar sobre dinheiro ainda não é um bom assunto dentro de casa. Ele acha que sou paranoica, e acrescenta q a vida é curta… deve ser vivida agora!