Pular a navegação e ir direto para o conteúdo


Dinheirama > Aposentadoria > Aposentadoria: e a previdência privada em época de juros baixos?

Aposentadoria: e a previdência privada em época de juros baixos?

13comentários

Como fica a previdência privada em época de juros baixos?Ana Luiza comenta: “Navarro, estou preocupada com essa redução dos juros em nosso país. Comemoro a notícia, mas fico apavorada de pensar que minha previdência privada vai render cada vez menos e pode simplesmente não ser suficiente para os planos que fiz de aposentadoria alguns anos atrás. Como devo encarar essa realidade? A previdência privada vai render cada vez menos também? E agora? Obrigada”.

A nova realidade dos juros historicamente menores é singular: ficou para trás o sonho de rentabilizar em mais de 10-15% nosso capital de forma simples, fácil e segura. Juros baixos significam avanço do ponto de vista econômico, mas também desafios para quem se preocupa com suas decisões de investimento e proteção de capital.

Se por um lado o crédito fica mais barato, o que em tese também se reflete no preço final dos produtos (que tende a cair), por outro a escolha de alternativas de investimento[bb] capazes de sustentar rentabilidades iguais às do passado fica cada vez mais técnica e difícil.

Por que ficou tão mais difícil investir?
A renda fixa do Brasil pré-Dilma garantia ganhos médios de mais de 10% ao ano, um retorno expressivo e capaz de satisfazer poupadores e especialistas (afinal, adoramos fazer simulações e coisas desse tipo). Acontece que os produtos administrados por terceiros (bancos, gestores e etc.) implicam cobranças de taxas, sendo as taxas de administração e carregamento as mais comuns.

A taxa de administração é, como o nome já diz, o percentual que pagamos aos gestores por decidirem onde e como nosso dinheiro será investido. Ora, transferir essa responsabilidade, o que é cômodo, tem seu preço – e temos que reconhecer que a lógica é justa. Produtos como os de previdência privada cobram ainda a taxa de carregamento, que é cobrada a cada aporte realizado. Na prática, apenas parte do que investimos mensalmente é usada para capitalizar nosso futuro.

Os ganhos elevados do passado permitiam que essas taxas ficassem meio “encobertas”. Ou melhor, que elas não fossem questionadas e comparadas pelos investidores. Os ganhos líquidos (depois de descontadas tais taxas e os impostos) eram bons, então por que haveríamos de reclamar? A história agora é outra. Bem outra…

O agravante da aposentadoria
Segundo uma simulação feita pelo professor de finanças da USP, Rafael Paschoarelli, somente a mudança no patamar de juros ocorrida neste ano, quando as taxas do governo caíram de 11% para 8,5%, pode implicar mais de 15 anos de trabalho (e de contribuições extras ao plano de previdência). Os juros caíram, mas a inflação ainda não, e isso complica o ganho líquido ao longo do tempo.

Produtos de previdência privada conservadores são os mais afetados por essa realidade, já que sua composição é baseada em títulos públicos, privados e cotas de fundos de renda fixa tradicionais – todas opções influenciadas diretamente pela queda nos juros e mudanças na taxa Selic.

Na prática, o que deve ser observado em relação à aposentadoria?
O aspecto prático dessa realidade é óbvio: se permanecermos em produtos de previdência privada conservadores, cujas taxas de administração e carregamento são elevadas, simplesmente não teremos capital suficiente para manter o padrão de vida desejado (e projetado) quando contratamos o plano. A conta não vai fechar!

Então, o investidor[bb] atento deve:

  1. Buscar saber que tipo de produto de previdência privada ele e sua família possuem. Qual o tipo do plano contratado? Qual a estratégia do gestor? Quanto tempo você ainda tem pela frente em relação às contribuições? Ele investe apenas em renda fixa ou também tem renda variável? Qual a taxa de administração? E a taxa de carregamento?
  2. Avaliar como as taxas podem ser reduzidas. Aportes iniciais maiores costumam diminuir bastante as taxas de carregamento, o que permite que seu dinheiro seja mais bem aproveitado ao ser investido. As taxas de administração já estão sendo revisadas, então é preciso pesquisar opções e conversar com seu atual administrador;
  3. Constituir um novo plano já pensando no cenário econômico atual. A escolha agora deve ser por produtos mistos, com uma constituição mais arrojada, mas ao mesmo tempo inteligente. Aproveitar o tempo favorece essa estratégia, já que se pode escolher um plano de previdência privada que invista em renda variável durante os anos iniciais dos aportes e diminua essa exposição ao risco à medida que os anos passem (e a data de aproveitar o benefício se aproxime);
  4. Pesquisar e conhecer muito bem os gestores. A diferença entre uma aposentadoria tranquila e uma terceira idade de arrependimentos pode estar na escolha da empresa que oferece o plano. Escolher o produto mais adequado para o seu perfil passa a ser um passo decisivo na construção de patrimônio e liberdade para o futuro. Informar-se mais e melhor, além de consultar profissionais especializados (consultores financeiros, por exemplo) são atitudes que você deve considerar a partir de agora.

As variáveis foram embaralhadas…
Antes você escolhia um produto conservador, garantia 10% ou mais de rentabilidade anual e ficava sossegado. Agora você tem que considerar os juros em queda, a inflação que ainda não voltou ao centro da meta, a expectativa de vida que aumentou (e continua aumentando) e ainda o Imposto de Renda (esse sempre existiu).

Então, caro leitor, a simulação feita há dez anos não vale quase nada hoje em dia. O que você contratou lá atrás não será suficiente a partir de agora. Novas simulações são necessárias, seja para dotá-lo da motivação necessária para renegociar tudo que está feito ou simplesmente para desafiá-lo a conceber um plano adicional para essa fase da vida que chegará.

Marcia Dessen, consultora financeira e colunista da Folha de S. Paulo, fez uma simulação em que mostra a diferença nas simulações em um intervalo de 10 anos e uma diferença nas taxas de juros. O resumo está abaixo, mas o artigo completo você pode ler clicando aqui.

Simulação de Marcia Dessen - Folha de S. Paulo

Encare os fatos com seriedade!
A verdade é que a aposentadoria de todos nós está ameaçada. Primeiro porque vamos viver mais, muito mais que nossos pais e avós, e segundo porque o cenário econômico em que baseamos nossos planos alterou-se em alta velocidade. Fica o recado: pense nisso enquanto você ainda pode fazer alguma (muita) coisa.

Seja sincero, você já havia pensado nisso? Já tomou alguma atitude para mudar os planos que já possuía para a aposentadoria? Compartilhe conosco sua opinião usando o espaço de comentários abaixo ou o Twitter – sou o @Navarro por lá. Valeu e até a próxima.

Foto de sxc.hu.

Gostou do artigo?

Por favor, compartilhe!

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

Leia todos os artigos de Conrado Navarro

Comente pelo Facebook


  • Leoberto

    Boa noite Navarro,
    É comum os planos de previdência (especialmente os bancários) apresentarem uma simulação de quanto você receberá de aposentadoria com uma contribuição mensal X, se a rentabilidade anual for de Y.
    Normalmente nessas planilhas são sugerias taxas de rendimento da previdência de 9% ou 10% ao ano… e não há campo para que se informe a inflação anual estipulada.
    Nesse tipo de simulação, a taxa de juros a ser inserida para fins de cálculo de renda futura deve ser uma taxa subtraída de uma hipotética inflação anual?
    Isto é, para ter uma noção superficial da minha renda futura devo inserir uma taxa real de juros (juros descontada da inflação)? Caso sim… dificilmente com NTN-B do Tesouro (indexados ao IPCA) vou ter rentabilidades anuais acima de 4% certo?
    Obrigado e parabens pelo trabalho.

  • Adriano Carvalho

    Navarro, outro detalhe muito importante é o percentual do capital excedente que será pago na previdência privada. Algumas instituições não pagam nada. Isto é o que não aparece na propaganda, daí a importância de não se contratar um plano sem analisar muito criteriosamente.
    Sucesso!

  • Rnoeli

    Olá Navarro, Parabéns pelos artigos sempre esclarecedores. Gostaria de propor uma reflexão de sua parte para o ponto de vista de quem já se aposentou. Sempre vemos pensamentos com intuito de alertar a quem ainda vai se aposentar, mas nunca encontramos o que fazer na situação de quem já se aposentou e possui uma reserva que pensou ser suficiente e que agora parece estar ameaçada. Por exemplo, digamos que essa simulação de 10 anos se concretizou bem neste momento e a pessoa já está apenas dependendo desta renda da previdência para sua sobrevivência. O que ela precisa fazer para conseguir manter a qualidade de vida se não possui mais como contribuir para aumentar o “bolo”? Aguardo suas dicas. Um abraço.

    • Mateus

      Bem interessante sua dúvida Rnoeli. Mostra uma outra perspectiva. Eu ainda estou longe de me aposentar, estou com 23 anos agora, mas creio que mesmo aposentado e recebendo uma quantia mensal é importante manter uma reserva de capital para emergências e usar o dinheiro com inteligência e planejamento.

  • Dalmo

    Navarro, com o cenário econômico atual você indicaria a previdência em bancos como Banco do Brasil e Caixa Econômica ou instituições privadas como Seguradas?

  • Turi Souza

    Por essa e outras creio que o melhor a fazer é garantir a aposentadoria com imóveis ou com produtos que geram resíduos ;)

    • Leoberto

      Olá Turi,
      o que seriam produtos que geram resíduos?

      • Turi Souza

        Produtos que gerem royalties por exemplo ;)

  • Vitor_pc

    Uma dúvida quanto a segunda tabela. A mensalidade de R$1725,00 seria o valor para eu adquirir a renda mensal de R$3.000 somente com 20 anos de contribuição ou já descontados 10 anos que contribui pagando R$200,00 mensais?

    • http://twitter.com/FulgencioB Fulgêncio Bomtempo

      Olá Vitor_pc,

      A conta é feita já considerando o que foi acumulado nos primeiros 10 anos.
      Pode ver que na segunda simulação fala de “Valor Presente Disponível” no valor de R$37.525,00.

      Infelizmente a situação ficou muito mais complicada, agora é arregaçar as mangas e procurar estudar mais sobre investimentos, assim podemos fazer a nossa própria carteira de investimento, evitando pelo menos as taxas pagas a terceiros.

      Abraço,

      Fulgêncio Bomtempo

  • Gabriel

    Com a disciplina correta, creio eu, que até deixar dinheiro na poupança rende mais do que muitos planos de previdência privada…

  • cristiani

    Atualmente o que fazer? poupança ou aposentadoria privada para o menor de 7 anos? Isso pensando em um resgate quando ele tiver 18 anos.

  • Roberto Takayanagi

    Olá Navarro, excelente reportagem !

    Nos mostra claramente que o Brasil afinal chegou ao patamar de país realista e civilizado com relação à taxa de juros (apesar de a taxa dos bancos continuar extorsiva). Aplicar nosso suado dinheirinho está cada vez mais complicado. Eu tinha um plano PGBL na Brasilprev, rendia um bom dinheiro, apesar da taxa de administração, mas, a partir de meados de 2012 o rendimento chegou a 5% a.a. Resolvi resgatar tudo, paguei as dívidas, e com o restante, resolvi aumentar meu carnê do INSS para quase o teto, pois já estou com 57 anos e, com esse rendimento pífio da previdência privada, eu precisaria pagar quase 3.000,00 pelo menos até eu completar 70 anos. Simplesmente desisti da privada. Completo 35 anos de contribuição ao INSS exatamente quando fizer 65 anos e, pelo meu cálculo, talvez eu consiga me aposentar com algo em torno dos 2.500,00. Apenas uma observação: acho a taxa de administração da previdência privada um absurdo, com essa invenção chamada taxa de carregamento… Prefiro investir o que sobrou em imóveis de aluguel para a classe C (aluguel entre 500,00 e 700,00), é mais rentável, seguro e, pelo menos aqui em São Paulo, tem uma demanda garantida pelos próximos 10 anos. Obrigado.

Quem já falou do Dinheirama?

Conheci o Dinheirama justamente numa fase "transitória" de minha vida... num momento onde estou em processo de total metamorfose e mudança de frequência mental. O Dinheirama está sendo pra mim uma carta de frequências, ajudando a sintonizar minha mente onde ela nunca esteve, no oceano de conhecimento da Educação Financeira, mar que nunca tive oportunidade de navegar no sistema educacional tradicional. Só devo agradecer!

Roberto William

Parcerias Exclusivas

Ueba

Disclaimer

Toda e qualquer decisão tomada após a leitura deste blog é única e exclusiva responsabilidade do leitor