David comenta: “Navarro, passei por uma situação no mínimo estranha em 2014: um amigo de longa data me pediu um dinheiro emprestado e, com base na amizade de tanto tempo, eu cedi. Ele pegou a grana, usou e nunca me pagou. Para completar, não consigo mais falar com ele, pois parece que ele quer distância de mim. Fiquei sem o dinheiro e sem o amigo. Deixo o alerta para os leitores não cometerem o mesmo erro. Obrigado”.

Você, eu e todos os cidadãos temos uma coisa sagrada, que vale mais que qualquer bem ou quantidade de zeros na conta corrente: nosso nome! Sim, porque um nome é capaz de despertar nos outros diferentes sentimentos e lembranças, ao mesmo tempo em que é a referência para as gerações que virão depois de nós (pense sempre em legado).

Você já parou para pensar no que dizem quando seu nome surge em uma conversa? Ah, fique tranquilo que não vou defender essa de que devemos nos importar com a opinião dos outros sobre nós, mas acho legal quando o legado (adoro essa palavra!), o caráter e a história de vida de alguém são lembrados em um bate-papo informal.

Tem alguns nomes que a gente ouve e logo pensa (ou diz): “Hum, esse gosta de fazer rolo, hein? Deve para metade da cidade e seus amigos não querem ver ele nem pintado de ouro”. Pois é, história comum por ai, não é mesmo? O amigo empresta o dinheiro na boa fé e camaradagem e depois… Bem, você já sabe.

Uma enorme razão para você não emprestar seu dinheiro

Ah, eu prometi a razão definitiva para não emprestar seu dinheiro. É simples: via de regra, o dinheiro não será devolvido e a amizade (ou relacionamento, no caso de parentes) vai desaparecer. Se prefere que eu seja mais direto, você não terá o dinheiro de volta e ainda vai “perder” um amigo/parente.

Será que faz sentido emprestar seu dinheiro e correr o risco de perdê-lo? Convenhamos, isso não é tão importante assim. A questão crucial aqui é correr o risco de perder um grande amigo ou afastar-se da família por conta de uma quantia qualquer de dinheiro, muito ou pouco, não interessa. Deixar de conviver com alguém por vergonha, embaraço e sentimento de culpa não faz sentido, concorda?

Se você tem condições financeiras de colaborar, abaixo você verá uma maneira mais eficaz de fazer isso. Se você não tem ou não pode oferecer o dinheiro pedido, recuse-se a ajudar em nome da amizade e do apreço que tem pelo outro. É comum ver gente se complicar financeiramente para “salvar” outra pessoa e, embora isso soe digno e decente, não é a melhor coisa a se fazer. Ajude se você puder; quando isso não for possível, a melhor ajuda será dizer “Não”.

Doar é a melhor decisão quando você se importa de verdade com o outro

Existe uma maneira de resolver impasses que envolvem pessoas queridas e dinheiro. Se você pode ajudar e entende que o relacionamento é muito mais importante que a soma que lhe foi pedida, simplesmente doe o dinheiro. Estou falando sério!

Faça questão de deixar claro que pretende e irá ajudar, mas que só pode participar disso essa única vez. Envolva-se no acontecimento que gerou a demanda financeira e demonstre seu carinho e amor por aquela pessoa. Resumindo: o dinheiro você recupera; a amizade e o relacionamento, nem sempre.

Você vai doar a grana, mas o fará em razão de toda a relação e, principalmente, pelo zelo ao nome do amigo ou parente – por isso é fundamental não só doar a quantia pedida, mas participar do caso como alguém verdadeiramente preocupado com o ser humano e seu legado. Dinheiro por dinheiro ou sem consideração transforma a situação em uma relação comercial (e não é isso que mantemos com seres humanos que amamos).

E será uma única vez, isso também é fundamental esclarecer desde o começo. Seu amigo ou parente precisa aprender a lidar com as próprias prioridades, vida pessoal e limites do orçamento, e neste sentido é crucial ele não enxergar você como uma ONG, um banco ou uma eterna “tábua de salvação” (você é muito, mas muito mais que isso!).

Conclusão

O dinheiro é seu e você faz dele o que bem entender, isso é fato e assino embaixo. Pondere apenas se vale a pena colocar um preço nas amizades e nos relacionamentos que mantém atualmente. O que quero dizer é que você deve avaliar muito bem se emprestar seu dinheiro não será o mesmo que vender a amizade por determinado preço correndo o risco de não receber nada de volta.

Se você ama, doe o dinheiro, mas com suporte, carinho e muita atenção aos desdobramentos de sua decisão. O recado é que você se importa mais com o outro que com o próprio dinheiro – isso já será um grande legado associado a você e sua história, pode apostar!

Você já passou por situações semelhantes? Como agiu e como lidou com as consequências? Emprestar foi uma boa decisão? Já doou de forma parecida com a que eu abordei no texto? Deixe seu comentário e mande-me uma mensagem também no Twitter – sou o @Navarro por lá. Abraço e até a próxima.

Foto “Bankrupt”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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