Outro dia uma amiga me contou que o pai começou a comprar em um site que vende produtos importados da China. Disse que ele iniciou a maratona consumista adquirindo uma coisinha aqui e outra ali, e de repente toda semana alguma encomenda nova o aguardava na portaria do prédio.

Eram produtos eletrônicos, tênis, vestidos para as mulheres da família, baterias e até lâminas para barbeador. Preocupada, ela disse que já estava virando um vício e que tinha até medo de olhar a conta dele. “E o pior é que é tão fácil. Ele abre o site no celular, dá um clique no produto e pronto, já tem até os dados do cartão por lá”. Perceberam o perigo?

É um fato que quando compramos com cartão de crédito, temos uma percepção de certa forma alterada do dinheiro que sai de nossas contas. Por isso é muito fácil nos perdermos no orçamento. Quando o dinheiro sai em espécie, diretamente da carteira, a coisa é muito mais doída, pois percebemos que ele está saindo dali. Não é à toa que muitos especialistas recomendam que, quando não se pode gastar, o ideal é até nem levar cartão na rua, somente o valor máximo em espécie que pode ser gasto.

Compras na Internet

Mas e com relação às compras na internet? Aí, meu amigo, o buraco é mais embaixo! Consumimos sem sequer sair da cama ou do sofá da sala, basta um computador ou um celular, e para que a compra – e o valor da despesa – realmente faça alguma diferença na nossa parte prática de pensar e agir, puxa… demora! Quem nunca viveu aquela situação de olhar para a fatura fechada do cartão e pensar: “Nossa, mas eu gastei tudo isso este mês? Nem me lembrava de ter comprado estas coisas nestes sites!”. Percebeu como é preciso muito cuidado para não estourar o orçamento?

Olho vivo e cuidado dobrado

Vamos simular. Você está lendo este artigo, de repente passa a ver o movimento de alguma rede social e, pronto, aparece a publicidade de algum produto que você já tinha visto antes, mas resolvera não comprar.

Desta vez, porém, há 10% de desconto. Então você clica e, sem muito mais para fazer ou com certa preguiça de pensar, acaba comprando o produto. Ok, e lá se vai mais uma despesa não planejada – e talvez pouco útil – afetando o orçamento do mês. Dá para entender o tamanho da encrenca?

Somos bombardeados o tempo todo por apelos consumistas, e quem passa muito tempo na internet precisa aprender a lidar com o consumo talvez de forma ainda mais cuidadosa do que quem não passa. Anos atrás, quando não havia internet e a TV era uma grande ferramenta para a publicidade em geral, poderíamos ser expostos a uma série de anúncios e publicidade em geral, mas talvez não nos afetasse tanto quanto a internet, já que agora há maiores possibilidades de rastreamento e sabe-se exatamente, através dos hábitos de navegação, quem é quem e o que procura.

Se vejo um produto que me interessa e não compro, serei exposto a ele diversas outras vezes, e aí cabe ao nosso lado “anjo”, menos consumista, avaliar com calma antes de dizer sim ao lado “demonio”, totalmente consumista e estraga-prazeres de qualquer sonho que requeira economia. Uma luta boa, não?

E como eu faço para não me render?

Bem, caro leitor, nós sabemos que organizar as finanças e ser educado financeiramente nem sempre é fácil. Sempre digo que temos que lidar com uma série de coisas complicadas, a começar pelo nosso emocional. Compramos quando estamos tristes ou ansiosos, compramos quando não temos nada para fazer, tomamos decisões insensatas porque temos preguiça de comparar.. enfim.. se você está aqui lendo este texto, saiba que já está a um passo além da maioria. Quando falamos de consumo online, para não exagerar na dose e detonar o orçamento, é preciso por em prática alguns pontos:

  1. Acompanhar o orçamento: Para não ter surpresas financeiras no final do mês, acompanhe o orçamento. Anote os gastos, inclusive os virtuais, em sua tabela de receitas e despesas, e vá acompanhando frequentemente. Não deixe para olhar a fatura do cartão somente no dia do fechamento.
  2. Pensar duas vezes se quer realizar aquela compra: Não compre por impulso. Já falei sobre esta questão perigosa algumas vezes, e quando se trata do ambiente online, vale até colocar um lembrete grudado na tela do computador para avisar a si mesmo que é preciso pensar antes de comprar.
  3. Pesquisar os preços: Algo positivo de se comprar online é a facilidade de pesquisa de preços e formas de pagamento. Se você pretende comprar algo, não o faça no primeiro site que aparecer em sua tela. Realize uma pesquisa em buscadores e avalie o melhor preço antes de comprar.
  4. Não passar o dia inteiro na internet: A não ser que você trabalhe com isso e seja necessário estar na internet o tempo todo, dê-se um tempo fora da rede. Será bom para a sua qualidade de vida e também para seu bolso. Procure realizar atividades ao ar livre, como caminhar ou ir a algum lugar com natureza, ou passe mais tempo com a família e os amigos, dê atenção aos seus hobbys, e etc. Quando estamos felizes e satisfeitos, dificilmente ficamos consumindo o tempo inteiro para preencher um vazio que – você sabe bem – não é uma compra que preencherá. Portanto, cuide-se mais e olho vivo ao consumir online. Vamos juntos?
Janaína Gimael
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