É muito comum recebermos emails de leitores relatando problemas financeiros, a maior parte deles resultantes de escolhas erradas feitas em momentos de bonança. Compra do carro através de financiamento muito longo e parcelamento excessivo das compras são exemplos clássicos de decisões tomadas quando tudo está bem.

Acontece que as emergências acontecem para qualquer um. Perda do emprego, um problema de saúde, situações inesperadas podem mudar drasticamente a situação financeira da família, principalmente quando não existe o mínimo de planejamento.

Outra constatação é a falta de disposição em mudar. A maioria pede ajuda contando sobre os problemas e como chegaram ao fundo do poço, mas quando respondo explicando que só é possível contornar a situação com algum sacrifício e muita dedicação, quase ninguém retorna o e-mail.

Imagino que não é fácil conviver com alguém colocando o dedo na ferida, mas o primeiro passo é perceber que o grande responsável pelo momento delicado é quem tomou as decisões erradas, aquele que ao invés de guardar dinheiro decidiu gastar mais do que ganhava. Você.

Aos poucos que decidem continuar a conversar, que aceitam a responsabilidade e entendem que precisam modificar a forma como lidam com o dinheiro, o primeiro conselho que dou é: descubram o “tamanho” do problema.

Qual é a gravidade da sua situação financeira? Por negligência e em alguns casos até dificuldade em lidar com a realidade (ignorância financeira), muita gente só tem uma vaga ideia do quanto realmente deve e de quais são seus principais compromissos financeiros.

Aqui no Dinheirama escrevi um artigo onde explico como é possível acabar com as dívidas em 4 passos (leia aqui o artigo na integra), mas o mais importante é modificar o pensamento, a mentalidade, para transformar um devedor em alguém que tem a esperança de conquistar uma vida diferente.

Se for verdade que o dinheiro pode (e deve) trazer felicidade (clique e veja porque acreditamos nisso), também é verdade que a má gestão dele pode levar muita gente para o fundo do poço.

5 atitudes para livrar-se das dívidas e sair do vermelho

Preparei algumas medidas que devem ser tomadas em situações de crise, ações que são fundamentais quando as finanças saíram do controle. Ao ajustar o orçamento e contornar o problema, é possível rever alguns cuidados mais radicais.

Tenha em mente que as sugestões precisam ser levadas a sério e usadas de forma inteligente, respeitando o orçamento doméstico e o mandamento de gastar menos do que se ganha.

1. Não utilize o cartão de crédito por algum tempo

Muita gente lida com o cartão de crédito como se o crédito fosse sinônimo de dinheiro grátis. Quando enfrentamos uma realidade de dívida crescente, a facilidade de compra da ferramenta pode ser uma tentação difícil de lidar.

Hoje, com as facilidades de comprar pela internet, a ideia de deixar o cartão em casa já não é tão eficaz, então o melhor é abandonar o seu uso por algum tempo, para não colocar tudo a perder em um momento de descontrole.

O crédito oferecido através do cartão possui a mais alta taxa de juros cobrada do consumidor, em muitos casos atingindo mais de 200% ao ano. Isso significa que uma dívida não paga nesta modalidade pode dobrar em pouco mais de 6 meses. Se você não sabe lidar com o crédito, melhor não usá-lo.

2. Abandone o cheque especial

Muita gente ainda usa o cheque especial (especial para quem? Clique e descubra) como complemento de renda, sacando ou fazendo pagamentos considerando o limite extra da conta como se fosse seu próprio dinheiro.

Cabe lembrar que, assim como o cartão de crédito, os juros dessa modalidade de crédito são bem altos. Ao liberar a linha de crédito, o banco quer que você a utilize e passe a pagar juros, taxas e tarifas por isso – o crédito é liberado automaticamente quando você fica sem saldo e passar a usar o limite.

Se estiver pendurado no cheque especial, tome rapidamente um empréstimo mais barato (consignado ou CDC, por exemplo), cubra o cheque especial e ajuste seu orçamento para não precisar mais usá-lo. Ah, sim, e peça para o gerente do banco retirar esse limite ou deixá-lo o menor possível.

3. Seja mais organizado e disciplinado

A maior parte dos endividados apresenta características bem interessantes: não se percebe o hábito de anotar as receitas e despesas e, quando começa a fazê-lo, não tem a disciplina necessária para tornar essa atividade um hábito.

Contabilidade mental é um convite ao erro. Ao confiar decisões importantes apenas nas lembranças, abre-se uma porta para o consumo por impulso e sem limites. A importância dos registros e da disciplina para mantê-los atualizados é simples: a qualquer momento você pode consultar sua real situação financeira.

Se você procura opções de controle financeiro, aqui no Dinheirama temos diversas opções de planilhas que você pode baixar gratuitamente (clique aqui para baixar). Se você gosta das facilidades da internet, também pode recorrer às ferramentas: nós oferecemos também gratuitamente o Dinheirama Online (clique aqui para conhecer a ferramenta).

Atente para o fato de que planilhas e sistemas são ferramentas. Ou seja, mais importante do que como controlar (que ferramenta usar) é sua disposição em fazê-lo, com disciplina, organização e interesse.

4. Crie o hábito de ler mais sobre finanças

É normal que em momentos de dificuldades existe um interesse maior por determinados assuntos. Aproveite a situação para transformar esse interesse genuíno pelo tema em um novo hábito.

Ao reconhecer o problema financeiro, é provável que você procure, seja em livros ou na Internet, dicas e sugestões para lidar com a questão. Por que não agir assim mesmo quando não existirem dívidas? Por que não manter uma leitura diária sobre o tema para entender melhor sobre nossa economia e como aproveitar para investir melhor, por exemplo?

Hoje no Brasil temos grande autores que fazem um excelente trabalho pelos temas relacionados à educação financeira, investimentos e economia. Na internet, você vai encontrar muito conteúdo gratuito de qualidade. Valorize também os livros, que são resultado de um trabalho de pesquisa e edição.

A leitura é um dos hábitos dos investidores de sucesso (clique aqui para descobrir quais são os demais).

5. Tenha sempre objetivos em mente

Quanto estamos endividados ou passando por problemas familiares, é comum perdermos o foco. Parece que boa parte do que tentamos fazer simplesmente não dá certo. Nesse momento, vale a dica simples de “manter os pés no chão” e fixar-se em objetivos claros.

Se você está trabalhando para acabar com suas dívidas que estão fora de controle, não faz muito sentido separar uma parte do dinheiro para investir. Não agora. Muito cuidado com as falsas oportunidades: resista sempre à tentação das ofertas mirabolantes de enriquecimento que aparecerão nessa hora (leia mais sobre isso clicando aqui).

Com objetivos definidos e respeitados, suas ações durante a crise terão caráter temporário e serão pautadas pelo que você quer e precisa fazer. Isso dá tranquilidade para não se deixar levar pelas ofertas e pela pressão dos outros (a expectativa social pode ser fatal nessas horas).

Muito importante: não se esqueça de envolver sua família nos problemas e também nas soluções necessárias para alcançar os objetivos traçados, afinal momentos de dificuldades são mais facilmente superados com a ajuda de todos.

Conclusão

Levantar após um tombo não é fácil, é verdade! O caminho se torna menos tortuoso, porém, quando aceitamos nosso papel de protagonistas e responsáveis diretos por definir objetivos, planejar as finanças e encontrar uma solução para o endividamento.

Se as coisas não andam bem, é fundamental ter coragem para fazer o que for necessário, entendendo que muitas das ações serão temporárias e estão sendo tomadas por conta da emergência que se apresenta.

Cortar custos que não são indispensáveis, abrir mão de confortos, vender bens ou procurar uma nova maneira de aumentar a renda, encare o que for preciso para atingir o que você busca.

Não transferir as responsabilidades é escolher o caminho certo, ainda que ele seja difícil. Só a intenção de resolver o problema não o resolve, o fundamental é a ação. Conte conosco sempre. Obrigado e até a próxima.

Foto “Calculating budget”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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