“Devo, não nego. Pago quando puder”. A famosa expressão descreve bem a situação que muitos brasileiros se encontram atualmente – e inclusive é quase o título de um dos artigos mais lidos do Dinheirama (clique para acessar).

A inadimplência do consumidor começou o segundo semestre em alta. O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor subiu em julho 19,4% frente ao mesmo mês de 2014, a maior alta para o mês desde 2011. Frente a junho, a taxa subiu 0,6%, enquanto em junho havia avançado 5,9% em relação a maio.

Segundo a planejadora financeira Florence Corrêa, a piora na situação financeira dos brasileiros se deve a uma combinação de fatores. Entre eles, a grande queda na atividade econômica, que levou ao aumento das taxas de desemprego, e a alta na taxa de juros, que chegou a 14,25% em julho.

“Além disso, como consequência de uma política que priorizava o aumento do consumo no mercado interno, os brasileiros já estavam bastante endividados antes desta crise econômica”, diz Florence.

A inflação muito elevada, beirando os 2 dígitos em 2015, também elevou as despesas. “A energia elétrica é a grande vilã dos aumentos – pesando de maneira significativa no orçamento das famílias”, ressalta.

A falta de educação financeira é outra razão para a decadência das finanças. “Brasileiros comprometem grande parte da renda com parcelas de dívidas; extrapolam no uso do cartão de crédito e utilizam o limite do cheque especial de maneira corriqueira”, afirma Florence.

De acordo com a especialista, os principais erros que levam as pessoas a se tornarem inadimplentes é a falta de hábito de fazer controle de seu fluxo de caixa, gastando além do que podem, e o fato de não terem reserva de emergência.

“É importante destinar uma quantia para um investimento seguro e com liquidez para fazer frente aos imprevistos, como a perda do emprego ou uma doença”, aconselha a planejadora financeira.

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Florence ainda afirma que muitos brasileiros têm o hábito de contrair dívidas, uma vez que elas caibam no seu bolso. Por isso, vão acumulando prestações e não observam o limite de comprometimento de sua renda com dívidas.

A seguir, confira dicas da planejadora financeira sobre quais atitudes tomar para se livrar da inadimplência:

  • Analisar o fluxo de caixa da família. “Ao identificar onde o dinheiro está sendo gasto você poderá vislumbrar as oportunidades de economia”;
  • Pesquisar se existem formas de endividamento mais baratas. Quem possui dívidas caras em atraso (como cheque especial e cartão de crédito) e está pagando juros altos pode tentar uma renegociação com o banco, substituindo essas linhas de crédito por linhas mais baratas, como empréstimos pessoais e empréstimos consignados;
  • Se tiver algum dinheiro numa aplicação, resgate e pague a dívida. “Nenhuma aplicação vai render o que você vai pagar de juros”;
  • Se tiver um imóvel quitado, pode pensar em refinanciá-lo. Dessa forma, pode obter um dinheiro com um juro bem mais baixo, já que o imóvel será a garantia desse empréstimo. “Mas, lembre-se: o não pagamento desta nova dívida pode levar à perda do imóvel”.

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A especialista ainda ressalta a importância de aprender a lição para evitar repetir os mesmos erros. “Conseguindo quitar suas dívidas, nunca mais se esqueça desta desagradável experiência. Passe a se controlar de maneira estrita, para que isso não volte a ocorrer”, conclui Florence.

Foto “Man and piggy bank”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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