Gosto de alternar meus textos por aqui entre os dois grandes pilares da educação financeira, que são as finanças comportamentais e as finanças técnicas (investimentos).

Hoje é dia de investimentos, e vamos falar um pouco sobre a amada e odiada bolsa de valores. Isso porque este ambiente da renda variável tem fascinado e também traumatizado muita gente.

Diferente dos investimentos em renda fixa, a bolsa pode reservar surpresas muito amargas para os investidores, que podem perder tudo o que investiram e até ficarem devendo algo mais.

É claro que esses casos são extremos, e normalmente envolvem operações alavancadas, ou seja, utilizando um dinheiro que na realidade você não dispõe no momento (sim, é possível fazer isso na bolsa).

Há vários tipos de operações financeiras que você pode fazer na bolsa de valores. Algumas muito arriscadas, e outras com um bom controle de risco.

Leitura recomendada: O básico sobre a Bolsa de Valores e sua importância para o Brasil

Seja cauteloso, invista em conhecimento e avance

Já percebeu que quando o assunto é bolsa, tanto os investidores comuns quanto os analistas de investimentos agem com muita cautela em suas palavras, e sempre alertando para os riscos envolvidos?

Eles estão certos. Isso acontece, porque estamos num país de baixíssima educação, principalmente na área financeira. Com isso, as chances de um investidor amador fazer bobagens na bolsa de valores são enormes!

Só que esses alertas, algumas vezes fortes demais, terminam também por afastar completamente o investidor deste ambiente. O medo (do desconhecido) já faz subir um muro que o impede de observar, simular e começar a investir com moderação.

Isso não deveria ser assim. Da mesma forma que este mercado é arriscado, também oferece lucros formidáveis! E já deixou sim, muitas pessoas bem ricas. Essas pessoas são a maioria? Claro que não.

A maioria tem preguiça de estudar, e tem pressa em lucrar. Essa é a combinação que leva muita gente à ruína quando experimenta a renda variável. Basta inverter isso e as coisas já ficam melhores: muito estudo e paciência.

Outro problema é o excesso de confiança. O sujeito estuda, começa de forma paciente, começa a ter lucros, mas depois mete os pés pelas mãos, achando que já sabe tudo. E tome prejuízos! Então, além de estudo e paciência, é preciso também ter disciplina.

Leitura recomendada: Vai vender o carro para investir na bolsa? Leia isso primeiro!

Estude, pratique e desenvolva o seu método

Quando falo de disciplina, quero dizer que você deve ser perseverante em manter ao longo do tempo a continuidade dos estudos e uma experimentação moderada, principalmente quando você está desenvolvendo seu método para operar (que é chamado de setup).

Lembra que há muitas maneiras e combinações (ou setups) para se operar na bolsa? Acho interessante você estudar, fazer cursos e trocar ideias com outros investidores em renda variável sobre os setups que eles utilizam, mas bom mesmo é você desenvolver o seu próprio setup.

Digo isso, porque somos seres únicos, com preferências diferentes, e apetites ao risco também diferentes. O que é bom para mim, pode não ser bom para você.

Muitos investidores, por exemplo, gostam de operar com índices futuros. Eu nunca experimentei isso. Por quê? Ainda não dediquei tempo para estudar esse assunto a fundo e experimentar. Só isso.

Podcast recomendado: Bolsa de valores, com Leandro Martins

Desde que comecei a investir na bolsa, gostei mais das ações, das opções (derivativos), e das operações combinadas entre eles. Mais arriscado? Menos? Depende.

Fazer day trade com opções de forma livre é muito arriscado. Fazer uma venda coberta de call (apelido para uma “opção de compra”) apresenta um risco moderado.

Dessa forma, é natural que eu me sinta mais seguro para montar meus setups combinando ações e derivativos. Entende o que quero dizer? Hoje, isso é o melhor para mim. Amanhã posso mudar de ideia ao aprender sobre outros ativos de renda variável.

Hora de entrar em ação

Comece abrindo uma conta numa corretora de valores (pela internet mesmo). Depois, compre uma pequena quantidade de ações, de empresas mais sólidas e com liquidez (grandes quantidades diárias de negociações).

Assim você vai aprender a operacionalizar e trabalhar no home broker, que é a interface entre você e a bolsa de valores. Devido aos custos de corretagem, custódia e impostos, sugiro que você comece com pelo menos R$ 1.000,00.

Agora você vai estudar bastante, e aproveitar o melhor das duas verticais de análises de ativos em renda variável, que são as análises fundamentalistas e as gráficas (ou técnicas).

Deixo aqui algumas dicas de textos que vão ajudar:

Matemática simples para operações no curto prazo

Se você buscar retornos no curto e curtíssimo prazo, vai ter que se acostumar a fazer uma continha simples: quanto você ganha ou perde a cada centavo que uma ação sobre ou desce. Exemplo:

  • Comprei 1.000 ações de Vale (VALE5), por R$ 23,47 cada, totalizando um investimento de R$ 23.470,00 (não estou considerando as taxas). Como tenho 1.000 ações, a cada centavo que subir ou descer, eu ganho ou perco R$ 10,00.
  • Observe que o lucro ou prejuízo em cada centavo não tem relação com o preço da ação, mas sim com a quantidade de ações que possuo. Então, se compro uma ação mais barata, como por exemplo, Gerdau (GGBR4) por R$ 10,94 cada, terei também 1.000 ações. Só que investindo menos, ou seja, R$ 10.940,00.
  • Em tempos de volatilidade (fortes variações de preço), essas ações costumam variar mais de 50 centavos no dia, o que neste exemplo didático geraria potenciais de lucro ou perdas na casa dos R$ 500,00 ao dia.

Para quem busca retornos no longo prazo, essas contas acima fazem menos sentido, pois a ideia é ir sempre comprando mais e mais, aproveitando principalmente momentos de baixa nos preços.

Ações que pagam bons dividendos são interessantes nessas estratégias de longo prazo.

Aplicativo recomendado: Dinheirama Organizze – o controle do seu dinheiro na palma da mão

Considerações finais

Esse texto é só um breve e muito simples vislumbre do que é o ambiente da renda variável. Em tempos de crise e falta de emprego, muita gente se encanta com isso e tem o desejo de se tornar um trader profissional.

Vou agora repetir o que a maioria diz: cuidado! É sim possível você se tornar um trader profissional e viver de bolsa, mas lembre-se de estudar muito, simular, começar com moderação, ter muita paciência, e ser disciplinado para seguir suas estratégias vencedoras.

Leitura recomendada: Perdi o emprego: agora vou ser trader na bolsa de valores!

Algo difícil não é algo impossível. É apenas difícil, e isso a gente resolve com dedicação.

Sugiro que você comece a praticar acompanhando o programa diário ao vivo do amigo Leandro Martins, que se chama Ponto a Ponto. Você terá uma visão prática da análise gráfica (ou técnica) como apoio às suas operações.

Sugiro também que acompanhe outro programa do amigo Roberto Indech, que se chama Call de Fechamento, além de sua página No Radar do Dinheiro, no Facebook. Você terá uma visão prática da análise fundamentalista, também importante para apoiar suas operações.

Espero que tenha gostado das dicas! Um grande abraço e até a próxima!

Giovanni Coutinho
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