Crédito: palavra gostosa de ouvir, mas com consequências difíceis de assumirPara começar, gostaria que você apenas lesse as palavras abaixo e prestasse atenção no sentimento ou emoção que elas imediatamente disparam em você. Trocando em miúdos, como você se sente quando vê essas palavras sem racionalizar muito sobre elas?

  • CRÉDITO;
  • DÉBITO;
  • EMPRÉSTIMO.

Normalmente, a palavra crédito dispara em nós sensações positivas, já as outras nos causam certo desconforto, porque imediatamente associamos crédito a ganhos e débito e empréstimo a perdas.

De acordo com a Psicologia Econômica, a dor de perder algo é, em média, duas vezes maior que o prazer proporcionado pelo ganho desta mesma coisa. Quem já perdeu uma nota de R$50,00, por exemplo, e já teve a sorte de achar uma sabe bem do que estou falando!

Historicamente, a palavra crédito começa a ser utilizada pelas instituições financeiras nos extratos de contas bancárias sempre associada ao sinal “+” designando depósitos, entradas, ou seja, ganhos.

Já a palavra débito, seguida do sinal “–“, corresponde às saídas, retiradas, pagamentos, enfim às perdas. Além disso, as expressões “saldo credor” e “saldo devedor” também contribuem para que a nossa percepção quanto às palavras crédito e débito seja afetada positivamente no primeiro caso e negativamente no segundo.

Se somarmos a esta associação quase espontânea e imediata outras associações da mesma natureza, disparadas por expressões como cheque especial, financiamento, linha de crédito, crédito fácil, isto talvez explique porque muitas pessoas “entendem” empréstimos como parte de suas rendas.

Se pararmos, por um segundo que seja, e interrompermos essa primeira associação, seremos capazes de entender a tomada de crédito, o financiamento, a utilização do cheque especial como tomada de empréstimo. Tomar um empréstimo significa contrair, assumir uma dívida. E aí a coisa toda muda de figura.

Por exemplo, quando eu digo que “utilizei uma linha de crédito da instituição XPTO ou que fiz uma compra parcelada”, o meu estado emocional é muito diferente daquele provocado pela utilização da expressão “contraí uma dívida com a instituição XPTO”. Isso acontece porque no primeiro exemplo eu enquadrei a situação como um ganho, já no outro caso a situação foi enquadrada como uma perda.

Quando nos encontramos em situações que são percebidas por nós como favoráveis e seguras, tendemos a relaxar e ficamos menos críticos e racionais. Já em situações desconfortáveis e arriscadas, ficamos imediatamente mais alertas, críticos e cautelosos.

Essa reação instintiva gerada pela nossa percepção pode ter implicações sérias sobre a nossa conduta. Como, em geral, não gostamos e não sabemos lidar bem com perdas, tentamos evitá-las ou diminuí-las ao máximo.

Quando percebemos a utilização de uma linha de crédito, de uma “parcelinha” que seja do cheque especial, ou de qualquer outra forma de empréstimo como uma perda, nossa reação instintiva é parar para pensar se aquilo é realmente necessário, imprescindível.

Se mesmo após essa reflexão, chegarmos à conclusão de que temos de tomar o empréstimo, isto é, encarar a perda, nosso segundo passo é tentar minimizar essa perda, procurando por melhores taxas de juros.

Agora veja que interessante. Quando encaramos a tomada de empréstimo como um ganho, nossa reação instintiva é maximizar o nosso ganho e aí podemos até nos empolgar com alguma oferta irresistível e acabar nos endividando além da conta.

Portanto, lembre-se: ao utilizar uma linha de crédito, financiamento, parcelamento, cartão de crédito, o que está acontecendo na verdade é que você está contraindo uma dívida que deverá ser paga, custe o que custar.

Foto de freedigitalphotos.net.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
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