Marli comenta: “Navarro, tenho uma dívida no cartão de crédito. O valor está alto, só cresce e não estou conseguindo pagar. Trabalho como empregada de uma empresa e uma amiga me deu a ideia de fazer um empréstimo consignado e usá-lo para pagar a dívida. Não conheço nada dessas coisas e ela não soube me explicar também. É um bom negócio?

Os juros cobrados por atrasos no pagamento do cartão de crédito no Brasil estão entre os mais altos do mundo. Assim, todos os esforços precisam ser feitos para estancar essa dívida o quanto antes. Vamos trabalhar alguns pontos juntos neste texto.

O crédito consignado para troca de dívidas

Sendo bem objetivo, sim, utilizar um crédito consignado é uma boa alternativa para realizar uma troca de dívidas. Esta é sempre uma operação interessante com o objetivo de melhorar o cenário de endividamento, embora nem sempre resolva o problema por completo.

Os juros do crédito consignado (vamos considerar uma taxa de 3% ao mês, apesar de existirem opções mais baratas) são muito menores que os juros do cartão de crédito (em torno de 15% ao mês). Essa diferença acontece principalmente porque o crédito consignado envolve o desconto direto na folha de pagamento do empregado, diminuindo muito as chances de inadimplência (calote).

Ao realizar o planejamento para o empréstimo consignado, não se esqueça que as parcelas não podem ultrapassar 35% do salário.

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Negociando a dívida com a operadora do cartão

Outra coisa importante é buscar uma negociação com a operadora do cartão de crédito para que haja um desconto no pagamento da dívida. Para as empresas em geral, é melhor oferecer um desconto (e receber algum pagamento) do que não receber nada (risco da inadimplência).

Faça as contas para saber se o dinheiro obtido com o empréstimo consignado será suficiente para pagar a dívida do cartão de crédito de uma só vez. Se não for o caso, procure outras formas de conseguir o dinheiro que falta (empréstimo pessoal também tem juros mais baixos que os do cartão), mas prestando atenção ao orçamento para respeitar seus limites.

Você já considerou vender alguns bens?

Outra coisa que pode ajudar a resolver o problema é vender alguns bens que você possui. Desde uma bicicleta até um automóvel, pode haver muitas coisas em sua casa que você não usa tanto e que, assim, podem ser vendidas para aliviar o orçamento.

É preciso entender que uma dívida é uma torneira aberta que não para de jorrar. Isso precisa ser contido, e não é hora de ter apegos. Venda agora! Depois, quando a situação financeira estiver estabilizada, você poderá comprar novamente o que foi vendido (mas por favor, junte dinheiro e compre à vista desta vez).

Responsabilidade ao tomar crédito

O crédito foi feito para melhorar a vida das pessoas, e não para colocá-las em confusão. Imagine que você tenha um dom para vendas, mas não tem dinheiro para comprar os produtos que pretende vender. Então você toma um empréstimo para comprar estes produtos, e com a venda deles você paga o empréstimo e fica com algum lucro.

É um capital de risco, mas esse risco precisa ser bem calculado. Para isso você precisará ter uma margem de lucros maior que os juros do empréstimo para conseguir fechar suas contas no azul. Repare que o conceito de empréstimo como fator de geração de renda funciona bem para empresas, então atenção se for usar o crédito apenas para consumir – isso é perigoso!

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Conclusão

As linhas de crédito devem ser sempre utilizadas para alavancar novos recursos financeiros e nunca para satisfazer os desejos de comprar algum produto de forma antecipada sem que todos os impactos financeiros tenham sido devidamente calculados e estudados. Aprenda a usar o crédito de forma responsável e você nunca terá que “brigar” com ele.

Foto “stressed woman”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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