Realizar o sonho de comprar um carro ou mesmo a casa própria é um passo incrível na jornada da vida, e por isso é muito importante avaliar com cuidado com esta decisão deve ser tomada.

Todos sabemos que para a maior parte dos brasileiros, é quase impossível realizar estes objetivos contando apenas com o próprio dinheiro. Ter todo o montante para negociar e pagar à vista não é tão simples e fácil em casos assim, não é mesmo?

O caminho natural para o consumidor é o financiamento. Fazer um empréstimo específico para aquele objetivo, geralmente com prazo longo de duração e condições que se encaixem no orçamento é a decisão tomada por muitos.

Antes de discutirmos a questão do financiamento, dois alertas importantes:

  • O fato de poder contar com o crédito não isenta você da responsabilidade de fazer o melhor com o orçamento familiar. Na prática, isso significa que quanto mais você conseguir juntar dinheiro para seus objetivos de vida, melhor;
  • Nem sempre o financiamento é a melhor alternativa para comprar um bem de valor mais elevado, portanto considere também estudar outras opções, inclusive juntar para pagar à vista mesmo que isso pareça impossível. Não abordaremos isso no texto de hoje, mas é bom sempre pensar “fora da caixa”.

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Financiamento: comprar com o dinheiro dos outros

Você sabe como funciona um empréstimo? De forma simples e objetiva, o financiamento é a decisão de usar dinheiro dos outros, que deverá ser devolvido acrescido de juros. O total a ser adiantado, os juros e demais detalhes da operação são negociados caso a caso.

A ideia é que você pegue o total que precisa para comprar o que deseja, compre e então pague aos poucos (com juros) e ao longo do tempo o que foi adiantado. Você pega emprestado, usa e devolve corrigido e com os altos juros de praxe por aqui. Simples, mas um pouco assustador, não?

O conceito é muito fácil de compreender, mas a prática requer cuidados e muita atenção. A primeira coisa que você deve ficar esperto diz respeito à falácia da taxa zero. Cuidado! Eu já expliquei que juro zero não existe.

Ouça: DinheiramaCast – Como criar bons hábitos financeiros

Financiamento: como fica a entrada?

Eu sempre escuto de amigos que “compreender a lógica do empréstimo é tranquilo, o difícil é pagar as parcelas”. Pois é, mas o que muita gente ignora é o papel que uma entrada maior exerce para mudar essa afirmação.

O valor que você consegue juntar para usar como entrada faz muita diferença no financiamento, e entender isso também é fácil. Ao fazer isso, você usará menos dinheiro emprestado, portanto tendo que devolver menos, o que significa menos juros e parcelas mais em conta.

Entrada, valor final pago e seu bolso: um exemplo

Suponha que o carro que você deseja custe R$ 50 mil. Se você der R$ 15 mil de entrada e financiar os R$ 35 mil restantes em 36 meses, a uma taxa de juros de 1% ao mês, terá que pagar R$ 1.162,50 todo mês, por três anos consecutivos. O carro vai sair quase R$ 7 mil mais caro (só de juros).

Agora imagine que você junte por mais um tempo e dê uma entrada de R$ 30 mil. Agora você vai financiar R$ 20 mil em 36 vezes, com a mesma taxa de 1% ao mês, o que geraria uma parcela de R$ 664,29. O carro ficaria R$ 4 mil mais caro ao final dos três anos.

Viu que interessante? Você vai pagar parcelas bem menores, que tenderão a impactar menos seu orçamento a ponto de você conseguir manter e usufruir do seu carro. Afinal, lembre-se de que você vai ter impostos, seguro, combustível, manutenção e muitas outras despesas.

Ah, reparou como o preço final pago pelo carro é menor na opção com entrada maior? Isso quer dizer que você pagará menos juros na operação com entrada superior – praticamente R$ 3 mil a menos, o que para um carro nesta faixa de preço equivale a três anos de revisões na concessionária, por exemplo.

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Financiamento: a entrada maior também tem outro efeito

As contas simples mostradas nos parágrafos anteriores já deveriam ser suficientes para convencer você a juntar mais dinheiro para a entrada, mas se você ainda está em dúvida, pense um pouco no lado emocional de uma compra financiada.

Quando você assume uma parcela muito elevada, por algum tempo pode até parecer que ela faz sentido – os primeiros meses usufruindo e aproveitando o bem comprado criam um “efeito uau” capaz de enviesar a interpretação das finanças. Este efeito não dura muito tempo.

Cedo ou tarde, a realidade cobrará seu preço. Se você embarcou em uma compra sem condições de sustentá-la por completo, vai precisar abrir mão do bem e encarar a frustração por ter tomado uma decisão sem ter feito um planejamento prévio melhor.

Em outras palavras, você vai ficar chateado consigo mesmo – e isso pode ser perigoso. Muitas pessoas se ressentem de não ter lidado melhor com a situação e descontam a frustração em mais compras sem sentido e na própria família. Ainda são poucos os que refletem e tentam fazer diferente.

O que fazer, então?

  • Pensar mais e melhor;
  • Não comprar logo de cara;
  • Comparar alternativas, observando o Custo Efetivo Total (CET) de cada instituição financeira;
  • Juntar dinheiro para oferecer uma entrada maior;
  • Comprar um bem abaixo do que você julga possível, para aos poucos planejar a escalada.

O foco do texto é a entrada, e acho que ficou claro que se você consegue juntar, isso será útil para fazer uma compra mais paciente (e consciente) e ainda garantirá condições comerciais melhores, juros menores e parcelas mais interessantes.

Leia também: Gastar sem culpa: será que você consegue? Deveria!

Conclusão

O papel do crédito é muito importante para manter a economia funcionando e os financiamentos de bens duráveis podem conviver de forma saudável com um bom planejamento financeiro. Para isso, é essencial prestar atenção aos juros e à negociação.

Além de buscar a opção com menor CET possível, você também precisa se certificar de que é capaz de economizar, reajustar seu padrão de vida e criar novos hábitos para juntar dinheiro para aumentar a entrada oferecida no empréstimo.

Uma boa entrada só tem efeitos positivos no decorrer da operação de compra, o que significa mais tranquilidade para pagar pelo bem, usufruir dele como merece e ainda manter o orçamento e as contas em dia, sem sustos.

Conrado Navarro
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