Quebrado! Endividado!O resultado de uma pesquisa da Telecheque, realizada com diversos jovens brasileiros, me deixou bastante assustado. No entanto, devo confessar que não me surpreendi. A pesquisa revelou que 42% dos inadimplentes flagrados no primeiro bimestre de 2007 eram jovens entre 21 e 30 anos. De acordo com quase 50% dos entrevistados, a maior razão para o endividamento é o descontrole financeiro. O desemprego, citado por 9% dos consumidores, foi a segunda justificativa para o problema.

Diante deste cenário, não pude conter a vontade de escrever. Caramba, ficar sem dinheiro por opção me parece tão fora de moda que, apesar da correria para publicar este artigo, nem sei ao certo o que escrever. Vou começar pelos 9% que acusaram o desemprego. De fato passamos por problemas no Brasil que impedem que todos possam trabalhar, mas isso é outra história. A questão aqui é mais simples. Se você não tem trabalho, não tem renda. Se não tem renda, não tem como pagar ou comprar algo sem se endividar. Ora, se não tem como pagar, então não compre!

“Mas Navarro, a gente precisa comer, pagar a escola dos filhos etc”. Concordo! Por isso é importante saber fazer provisões, guardar dinheiro, poupar, investir e ter uma reserva suficiente para bancá-lo por pelo menos 6 meses, mantendo seu padrão de vida. E enquanto isso você procura outro trabalho. De novo, há casos e casos. Falta emprego e muita gente passa muito mais de 6 meses procurando emprego. Passar 6 meses sem problemas é melhor que nada, certo? Combinemos uma coisa: não encontre desculpas quando já sabe quem é o culpado. Escolha se quer viver tendo poder ou se quer viver como pode.

Se você está entre os quase 50% descontrolados da pesquisa, o primeiro passo é aceitar, e assumir, que você não é capaz de lidar sozinho com seu dinheiro e que precisa de ajuda. Só assim você atingirá o grau de humildade necessário para tocar no assunto quando alguém lhe oferecer sugestões e dicas. De qualquer forma, estude também por sua conta e procure organizar-se melhor em todas as suas tarefas. Isso traz disciplina, o que é fundamental. E preste atenção no que realmente faz seu problema aumentar:

Deixe o talão de cheques em casa por duas semanas. Experimente sair na rua sem ele e continue com seus hábitos. Muitas compras e gastos no cheque são totalmente desnecessários, mas a facilidade de usá-lo para pagamento pré-datado ou parcelado faz com que você acabe usando-o. Saindo sem ele você não poderá comprar nada disso e, acredite, depois destas duas semanas você ainda vai estar vivo, saudável, vestido e feliz. Agora pratique. Estique as duas semanas para dois meses, dois anos e assim por diante. Por fim, esqueça do cheque pra sempre!

Relacione-se melhor com as moedas. Confesso que eu mesmo não sou um grande fã delas. Mas aprendi que elas podem fazer muita diferença e então passei a respeitá-las. Afinal de contas, uma moeda também é dinheiro. Tenha um pote, cofrinho, pires, gaveta ou qualquer outro lugar para guardá-las e crie este hábito sempre que chegar da rua. Depois de algumas semanas, procure saber quanto conseguiu economizar. Se jovens tem mania de não gostar de moeda, passe a agir como um adulto.

Pare de parcelar tudo que “é possível” parcelar. Se você assumiu que é descontrolado financeiramente e continua comprando a prazo, está insistindo no erro. Quanto mais difícil fica, menos sobra e isso é tão exato quanto a matemática básica. Se você tem dinheiro, compre! Se não tem, não compre. Conheço gente que não consegue viver com dinheiro sobrando e precisa entrar sempre em compras parceladas para acostumar-se ao fluxo de caixa do tempo de pouco dinheiro. É o maior absurdo, eu sei. Elas também sabem. Ah, e essas pessoas são as que normalmente reclamam do juro alto cobrado neste país. Incoerência? Nem me diga.

Quando tenho estes papos com alguns amigos, saio da rodinha rotulado de chato. Viro, literalmente, o assunto. Bom, eu prefiro ser um chato que dorme tranquilamente e que está preparado para eventuais crises a ser um “bon vivant” assumidamente endividado e frustrado, que fica correndo atrás do rabo e, ainda assim, ri de sua própria situação. Quem ri por último, ri melhor. Não é assim?

Conrado Navarro
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