Algumas semanas atrás, escrevi um artigo em que apontava 5 erros que podem acabar com o seu sonho de ficar rico (clique para ler). O texto foi muito bem recebido e acabei recendo muitos comentários interessantes sobre o tema. Natural, afinal o sonho de enriquecer é comum a muita gente.

Por acreditar que enriquecer é algo que pode ser conquistado, sendo em alguns casos até mesmo uma questão de escolha pessoal, resolvi apontar mais 5 erros que podem acabar prejudicar a busca pelo sonho de ficar rico.

Enquanto alguns decidem pela riqueza, outros resolvem apostar apenas no consumo sem critérios. Assim, vale lembrar que qualquer tipo de conquista sempre dependerá de esforço, foco e dedicação no que diz respeito às finanças pessoais e escolhas financeiras em geral.

O Brasil é um país com muitas peculiaridades e quem quer enriquecer aqui precisa compreender que nem sempre podem ser adotadas sugestões descritas em alguns livros de autores estrangeiros. Aqui a realidade é outra e por isso é fundamental interpretar as dicas e seus exemplos – o Conrado Navarro escreveu sobre isso no artigo “A literatura gringa de educação financeira e seu dinheiro” (clique aqui para ler).

Mais 5 erros que podem acabar com seu sonho de ficar rico

Nas dicas a seguir, procurei levar em consideração alguns aspectos de nossa economia e a cultura do Brasil, mostrando que algumas questões não podem ser encaradas como verdades absolutas.

Confira outros erros que podem atrapalhar seu caminho rumo à independência financeira:

Erro 1: Não aproveitar os juros altos da renda fixa brasileira

Durante o governo da Presidente Dilma, o país passou por momentos bem diferentes. Logo no início, os juros da economia baixaram a níveis nunca antes vistos, mas, passada a metade inicial de seu mandato, os juros voltaram a subir – hoje estão em patamares maiores do que os encontrados quando ela assumiu.

O combate à inflação e os problemas de confiança na atuação do Banco Central (BC) foram apontadas por muita gente como agentes fundamentais para que os juros se elevassem. Hoje, juros de 11% ao ano representam excelente oportunidade para investidores que procuram conciliar boa rentabilidade com segurança.

Com o atual cenário de juros (clique para ler mais sobre isso), os investidores que buscam opções interessantes encontram novamente oportunidades em fundos de renda fixa: desde que os fundos tenham taxa de administração máxima de até 1,5%, seus retornos tendem a ser maiores que o da poupança, por exemplo. Fundos com taxa de administração de 2% ao ano empatam com a caderneta.

Destaco nessa realidade de juros elevados as oportunidades de Investir no Tesouro Direto (clique e entenda), que corresponde à oportunidade de comprar e vender títulos públicos através da Internet, com liquidez semanal e opções de proteção do capital para o médio e longo prazo (rendimentos reais, acima da inflação).

Erro 2: Não aceitar que carro não é investimento

Um dos maiores símbolos de status no Brasil é o automóvel. Normalmente, pessoas que “desfilam” com carros novos, modelos trocados todo ano, impressionam e despertam em muitas pessoas a sensação de sucesso – é a visão do carro como um bem posicional.

Durante os últimos 10 anos, a indústria de automóvel no Brasil experimentou um crescimento maciço. As vendas atingiram números recordes com o desejo dos brasileiros de consumir e trocar de carro, com incentivos fiscais (redução de impostos) e pelo acesso facilitado ao crédito.

Como a maioria dos brasileiros, eu também sou apaixonado por carros, mas opto sempre por fazer minhas escolhas observando questões importantes que envolvem minhas condições financeiras e aspectos importantes como segurança. Tudo isso vem antes do simples desejo de ter o carro mais bonito e caro.

Há muita gente que justifica a compra do carro zero dos sonhos com expressões como: “Fiz um ótimo investimento”, “Aproveitei que o imposto estava baixo”, “Todos os meus amigos na empresa trocaram de carro no último ano” e ainda “As parcelas do financiamento cabem no meu bolso”.

A mente das pessoas é terreno fértil para incursões de publicidade que apelam para o status e o cérebro trabalha bem na tentativa de criar uma boa desculpa para justificar o consumo.

Quem compra um carro, financiado ou não, terá que se resolver com gastos associados ao combustível, seguro, estacionamento, depreciação do bem, licenciamento, IPVA e etc. Carro é um passivo, ou seja, um bem que toma recursos na medida em que exige manutenção e perde valor.

Entender que o carro pode arruinar as finanças é valorizar a escolha de enriquecer. Conhecer a (caríssima) estrutura de preços dos carros no Brasil é um começo nessa jornada (clique e leia uma brilhante análise). Além disso, recomendo também o texto “Carro não é investimento”, de Conrado Navarro.

Erro 3: Casar-se muito endividado

Misturar finanças pessoais e casamento sempre costuma terminar em polêmica. Muitos casamentos que começaram com muito amor e carinho em pouco tempo terminam porque as finanças do casal se arruinaram. O divórcio por problemas financeiros é muito comum, tanto aqui como em qualquer lugar do mundo.

Recentemente, escrevi sobre esse assunto no texto “Casamento e finanças: 3 pontos para não acabar o amor” (clique aqui para ler). Faço o alerta porque alguns casais, antes de casar, acabam tomando algumas decisões que complicam o sonho de enriquecer:

  • Festa de casamento: Oferecer aos amigos e familiares uma grande festa de casamento é o sonho de muita gente, afinal a chance de reunir todos que amamos para um momento único e tão especial merece uma comemoração. Entretanto, dar o primeiro passo da vida a dois com uma baita dívida para administrar não me parece ser a melhor alternativa. Portanto, nesse momento seja realista, o sonho precisa ser bem estruturado e conversado para que as finanças não saiam comprometidas criando um problema futuro para os recém-casados;
  • Comprar ou alugar? Os imóveis no Brasil estão caros, em relação a isso ninguém tem dúvida. Ainda assim, jovens casais com a vida cheia de possibilidades optam por começar o casamento pendurados em financiamentos de 20, 25 e até 30 anos para comprar um imóvel. Não sou contra a compra da casa própria, mas sou cauteloso quanto ao momento em que essa decisão deve ser tomada. No inicio do casamento, muitas possibilidades precisam ser levadas em consideração, entre elas as chances de alavancar carreira – e se a melhor opção for mudar de cidade? É claro que cada um tem e vive uma realidade diferente e não pretendo ser o dono da verdade. Meu conselho é apenas no sentido de pensar com carinho sobre algumas decisões que impactarão a vida durante um bom tempo. Acredito que alugar e guardar a diferença entre o aluguel e uma eventual parcela de financiamento, tudo isso para ter uma boa entrada, parece ser a melhor decisão;
  • Cuidar apenas do futuro dos filhos: Hoje em dia, a maioria dos casais trata com bastante cuidado a chegada dos filhos. Todos procuram planejar a chegada das crianças e sempre fazem de tudo para oferecer o que existe de melhor, inclusive com aportes em uma previdência privada ou caderneta de poupança, atitude muito interessante. Entretanto, o que muita gente esquece é que cuidar do próprio futuro é tão importante quanto planejar o futuro o filho. A expectativa de vida dos brasileiros aumenta todo ano e muita gente ainda não percebeu que depender apenas da Previdência Social é um grande risco. Se você não aceitar que precisa construir também o seu futuro, todo o dinheiro que você guarda para o seu filho talvez tenha que ser utilizado por ele para bancar alguns cuidados com você. Ah, sim, acho justo que os filhos se preocupem com os pais, mas enriquece é criar filhos independentes e, ainda assim, manter a própria independência em relação a eles. O recado aqui é simples: pense e planeje o mais cedo possível o futuro financeiro dos filhos, ajudando-os a compreender a importância da educação financeira, mas não abandone a sua responsabilidade de criar uma aposentadoria digna para si mesmo. Para casais que pensam no futuro dos filhos e querem saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura do provocante artigo “3 maneiras de arruinar o futuro financeiro do seu filho” (clique e leia).

Erro 4: Acreditar que o gerente bancário sempre vai dar os melhores conselhos sobre investimentos

Quando pensam em investir, muitas pessoas procuram se aconselhar com a figura do gerente bancário, profissional que ainda goza da confiança de muita gente (com justiça). Existem muitos profissionais sérios e comprometidos em oferecer aos correntistas as melhores oportunidades, é verdade.

Outros, porém procuram tirar proveito desse relacionamento de confiança e vender aos correntistas produtos que não podem nem mesmo ser considerados investimentos – talvez o maior exemplo disso sejam os conhecidos títulos de capitalização (clique para entender porque eles não são investimentos).

Quando vivemos completamente alheios ao que acontece no âmbito econômico e financeiro, nos tornamos verdadeiras marionetes nas garras de profissionais que tiram proveito dessa situação. E, convenhamos, isso está bem distante do sonho de enriquecer, não é mesmo?

Lembre-se que os gerentes do banco são profissionais pagos pelo banco e possuem uma série de responsabilidades a cumprir. Via de regra, dentre elas está a venda de produtos que são mais do interesse da instituição do que do cliente.

Minha recomendação é que você passe a se interessar mais pela própria gestão financeira, demonstrando curiosidade e buscando informar-se sobre determinados produtos financeiros. Estar mais presente é também uma boa alternativa.

Ao investir no seu relacionamento com o banco e demonstrar conhecimentos sobre o assunto, seu nome certamente será lembrado quando surgirem boas oportunidades de fato. Se quer mais dicas para relacionar-se melhor com seu gerente, clique aqui.

Erro 5: Não aprender com os próprios erros

Durante nossa vida, é comum vivermos altos e baixos. Em alguns momentos, algumas certezas acabam se mostrando ruindo e com a decepção chegam as consequências, ainda que demorem um pouco a aparecer.

Errar faz parte da vida. Errar, se levantar e aprender é uma escolha das pessoas bem-sucedidas. Para atingir o sucesso, o fracasso muito vezes é o primeiro passo a ser dado – com ele aprende-se muito. Nem preciso dizer que quem consegue aprender rápido pode transformar erros em oportunidades com mais facilidade.

Sempre defendi que empreender é uma grande oportunidade para quem pretende ficar rico (trabalhando muito, é claro). Muitos empreendedores de sucesso tiveram fracassos enormes no início das suas trajetórias: a persistência ao continuar focado no sonho fala alto, mas em alguns casos assumir que não deu certo é a decisão mais coerente a se tomar.

Volto a repetir: se o objetivo é enriquecer, admitir o fracasso e lidar bem (e rápido) com a situação é o primeiro passo para atingir o sucesso e se tornar alguém bem-sucedido. Meu amigo Rodrigo Antonangelo escreveu um excelente artigo (clique e leia), aqui mesmo no Dinheirama, em que diz:

“Sucesso e dinheiro não são algo que virão bater à sua porta. É preciso caminhar, superar duros obstáculos e perseverar naquilo que acreditamos fazer a diferença do mundo. Parafraseando o “gênio” Rocky Balboa: ‘O importante não é o quão forte você bate, mas sim o quanto você apanha da vida e, ainda assim, segue em frente’.

Prepara-se para seguir em frente em qualquer situação é importante e, assim, todos sempre devemos ter um Plano B. E se falamos de dinheiro e riqueza financeira, para que o Plano B funcione é fundamental construir sua reserva financeira de emergência (clique e veja como fazer isso), ponto que sempre gosto de destacar em meus artigos.

Conclusão

Tenho certeza que existem outros pontos importantes que precisam ser levados em consideração para manter vivo o sonho de ficar rico, portanto não vou encerrar a lista de erros por aqui. O recado final que deixo é: cuidado com a negligência em relação ao dinheiro, pois ela custa caro.

Outros materiais também falam sobre o tema. Recomendo a leitura da série de artigos do ótimo Daniel Meinberg: “Estamos tentando ficar ricos do jeito errado” (clique aqui para ler o primeiro post). É uma verdadeira aula de como é fundamental alinhar os planos futuros com certas atitudes capazes de sabotar os nossos sonhos.

Sua participação nessa discussão é importante para, por isso peço que registre suas impressões e sugestões no espaço de comentários abaixo. Obrigado e até a próxima.

Foto “Stacks of coins”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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