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Independência financeira, a liberdade e o dinheiro

9comentários

Independência financeira, a liberdade e o dinheiroMárcia comenta: “Navarro, seria ótimo poder contar com seu testemunho sobre como a educação financeira e a disciplina mudaram sua vida e principalmente sua capacidade de realizar objetivos. Minha sugestão é simples: que tal resumir, em dez ou menos dicas, as principais mudanças e atitudes que o fizeram ter domínio sobre seu dinheiro e finalmente atingir a independência financeira? Tenho certeza de que muitos leitores ficarão felizes com mais esta possibilidade de dialogar abertamente com você. Topa?”

Abre-se um novo debate sobre a tão sonhada independência financeira. Suas interpretações são, felizmente, muito pessoais e aqui gostaria de compartilhar minha visão: independência financeira para mim significa dar velocidade suficiente ao dinheiro[bb] já poupado e investido para que ele renda, para sempre, juros e dividendos maiores que seu padrão de vida. Trabalhar, que fique clara minha opinião, só naquilo que realmente tiver grande significado. Alerto que a minha definição implica atenção a dois importantes aspectos:

  • O padrão de vida deve se manter constante, corrigido apenas com o andar da economia (inflação, custo de vida etc.). Isso significa que mudanças no padrão de vida e no dia-a-dia financeiro da família (chegada de filhos, mudança, emergência etc.) devem ser acompanhadas de novo planejamento e reavaliação do capital alocado para manter a saúde financeira de todos;
  • O padrão de vida deve ser sustentável e compatível com suas receitas oriundas dos juros e dividendos, não do eventual trabalho que realiza hoje. A afirmação se confunde com a anterior, mas de forma proposital: trata-se de reforçar o foco na vida baseada no dinheiro que está trabalhando por você – e não no trabalho atual por mais capital. Em outras palavras, basta dar sustentabilidade ao fluxo de caixa familiar.

Aprender a organizar as finanças pessoais e transformar o controle financeiro[bb] em um hábito nem sempre são tarefas agradáveis e simples de se colocar em prática. A razão é simples: deixar de consumir traz uma sensação cruel de exclusão moral e social – situação especialmente agravada quando ainda somos jovens. Mas, como toda mudança, trata-se de uma escolha; e a boa notícia é que sempre podemos (devemos) escolher. O que é mais importante? Por que? Escolha!

Assim, permita-me listar o que aprendi e quais hábitos trato de valorizar e vivenciar diariamente:

1. Respeitar os pequenos valores. Acho que já mencionei em algum outro texto que cheguei a ignorar as moedas. Eu não tinha onde carregá-las e sempre dava um jeito de gastá-las ou de me livrar delas – estas eram as minhas esfarrapadas desculpas. Agia como um completo idiota, você tem razão. Aprendi que os pequenos valores representam o quanto respeitamos o nosso dinheiro e que se queremos ficar ricos devemos prestar atenção a uma máxima fundamental: a subjetividade dos pequenos valores pode levá-lo a decisões equivocadas quando muito dinheiro estiver em jogo. Hoje procuro guardar todo e qualquer centavo;

2. Criar e manter um organizado e completo orçamento doméstico. Sempre valorizei muito a sensação de controle. Confesso que o pensamento lógico e a racionalidade, características marcantes de minha personalidade, facilitaram o processo. Hoje não consigo passar um dia sem abrir o Microsoft Money e algumas planilhas[bb] de controle de meus negócios. Saber exatamente por onde anda meu dinheiro, como ele trabalha por mim e como posso gastá-lo me dá tranqüilidade suficiente para dormir sossegado e com a certeza de que amanhã terei mais do que tenho hoje;

3. Aprender a dizer “não” para mim mesmo. Tenho sonhos materiais iguais aos de qualquer jovem de 28 anos; tenho ambições naturais aos meus pares; tenho interesses e dúvidas igualmente compartilhadas entre minha geração. Mas aprendi que o tempo é uma arma fundamental para que sejamos capazes de sustentar nossos sonhos e vivê-los de forma mais intensa e durável. Lidar com a frustração foi uma lição aprendida a duras penas, mas talvez a mais importante na formação do meu “eu financeiro”;

4. Definir prioridades. É quase sempre muito fácil enumerar aquilo que queremos atingir. O problema está em definir quando e como chegaremos lá. As prioridades costumam ser as grandes barreiras para um planejamento financeiro eficiente. Sem horizonte, muitos investidores desistem; ou, com muitas alternativas por considerar, outros preferem ligar o “piloto automático”. Aprendi a definir prioridades com disciplina e simplicidade. Corro atrás daquilo que posso conquistar; chegando lá, começo tudo de novo;

5. Não acreditar em milagres financeiros. Promessas de retornos fantásticos, produtos diferenciados e que ainda não têm repercussão no mercado e dicas “de outro mundo” simplesmente não me atraem. Costumo afirmar que a velocidade do meu dinheiro é aquela que eu posso gerenciar. Ou seja, se o percurso exigir uma freada brusca ou uma guinada, sou capaz de realizá-la sem grandes sustos. Se preferir, traduza a metáfora de outra forma: invista naquilo que você entende. E só;

6. Arriscar, mas com pleno conhecimento das possíveis conseqüências. A afirmação é bem clara: procuro compreender bem o produto ou mercado[bb] em que estou investindo e listo as chances de sucesso e fracasso dos negócios ali encontrados. Se eu concordar com os riscos, arrisco; se julgar a coisa complicada ou sofisticada demais para mim, humildemente me afasto e procuro novas oportunidades dentro de minha realidade;

7. Ler e me informar sobre dinheiro, finanças e economia em geral. Encontrar novas alternativas de investimento nem sempre é simples. Se a decisão é minha, trato sempre de investigar e ler muito sobre o tema. Livros, blogs, sites, artigos técnicos, depoimentos, revistas especializadas, tudo isso se transforma em fonte de conhecimento para minhas decisões cotidianas. Só assim sinto-me confortável para poupar e investir;

8. Manter objetivos claros, sustentados através de investimentos mensais. Comprar, só à vista! Investir sem propósito funciona comigo por um tempo, mas a clara falta de garantia da capacidade de me sustentar e cumprir as próprias expectativas no futuro me fez mudar. Assim, sugiro que você faça como eu: defina o que você quer, saiba quanto isso vai lhe custar e passe a compor o valor necessário para chegar lá. Uma TV, um carro, uma casa ou sua aposentadoria, não importa. Precifique, poupe, invista e compre à vista;

9. Aprender matemática financeira. Cansado de ficar em dúvida diante de bons e maus negócios, decidi que era hora de entender como eram calculados os juros, risco, incidência de Imposto de Renda, taxa de administração e outras importantes variáveis de decisão do meu dia-a-dia. Felizmente, fiz isso bem cedo e hoje entendo perfeitamente a lógica por trás das boas negociações. É aquela história: aqueles que não se dedicam a conhecer o básico, pagam juros; os que compreendem a lógica do dinheiro, os recebem. Pois é, a matemática financeira[bb] salvou minha pele;

10. Pesquisar constantemente opções de investimento e, se necessário, alterar a carteira. Independente dos prazos estimados para atingir meus objetivos (curto, médio ou longo prazo), sempre dedico algumas horas por mês, semestre e ano para avaliar meus investimentos e negócios. Preciso estar confortável quando os encaro; se não estiver, mudo a estratégia e a alocação dos recursos. Raramente mudo prioridades.

Você acaba de conhecer o básico que sustenta minhas decisões financeiras. Como percebe, sou um sujeito muito pragmático, mas bastante consciente da importância do dinheiro como fator de realização pessoal e social, como ferramenta para uma vida plena e feliz. A única razão para fazer crescer meu patrimônio financeiro é investir na liberdade de fazer o que gosto, ao lado de quem respeito, quando e como bem entender. Independência financeira, só (tudo) isso!

——
Conrado Navarro, educador financeiro, formado em Computação com MBA em Finanças e mestrando em Produção, Economia e Finanças pela UNIFEI, é sócio-fundador do Dinheirama. Atingiu sua independência financeira antes dos 30 anos e adora motivar seus amigos e leitores a encarar o mesmo desafio. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente.

Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro

Mais informações

Educador financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks) e autor do blog "Você Mais Rico" da Revista Você S/A. Ministra cursos de educação financeira e atua como consultor independente. No Twitter: @Navarro.

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  • http://guiainvestimentos.blogspot.com/ Dio

    Muito bom o artigo, parabéns! Muitos pontos estão interligados, e alguns, por mais que conheçamos na teoria vamos aprender com os tombos, na prática (caso do primeiro item).

  • Renato S. Pádua

    Que isso Navarro? Mais um artigo com A maiúsculo! Simplesmente sensacional! Estamos diante de alguém que, muito jovem, já representa o ideal de sucesso financeiro de um grande grupo de leitores e pessoas. E que, com humildade e muita simplicidade, transmite suas conquistas, desafios e oportunidades, sempre com muita confiança e riqueza de detalhes.

    É, meu amigo, seu sucesso não é por acaso. Parabéns e obrigado! Estou repassando o ótimo artigo para os amigos. Até mais. Abs.

  • http://thifacco.com Tiago Facco

    Olá Navarro, os artigos que vc fala de seu próprio case de sucesso me motiva muito seguir em frente. Hoje posso dizer que controlo bem melhor meu dinheiro fazendo a previsão de gastos, pagamento e poupança através dos meios que aprendi aqui no Dinheirama.

    Obrigado e grande abraço!

  • http://www.monthiel.com Monthiel

    Olá Navarro. Artigo sensacional. Parabéns. Definir metas e correr atrás delas é a chave. Estou aprendendo muito com o dinheirama e quero até comprar uns livros. Vou investir um pouco no conhecimento financeiro.

    Abs,
    @monthiel

  • Ana Paula

    Olá Conrado!
    O artigo ficou mesmo ESPETACULAR :)
    Parabéns!
    Como já escrito acima, seu sucesso não é por acaso. E querer compatilhar para que outras pessoas também possam crescer financeiramente mostra como é especial para seus leitores.

    Beijos.
    Paulinha

  • Bruno

    Parabéns Conrado!
    Acompanho o Dinheirama a alguns meses e posso afirmar que isso mudou a maneira que eu lidava com o meu dinheiro.
    Não me recordo o que procurava na Internet, mas acabei entrando neste blog e fiquei maravilhado com o conteúdo.
    Não sabia o que era educação financeira e nos primeiros dias passei horas lendo os artigos e desde então virou um hábito para mim acompanhar o blog.
    Assim como o Tiago Facco comentou, também comecei a fazer o meu controle de gastos e a partir disto, enxerguei o quanto gastava mal o meu dinheiro.
    Me desfiz de maus hábitos de consumo, deixei de comprar parcelado e defini metas e objetivos.
    Comecei a poupar e hoje estou muito feliz, pois estou prestes a realizar um sonho, que é de fazer intercâmbio no exterior. O melhor de tudo que vou viajar com tudo já quitado, inclusive com o dinheiro que vou levar lá já reservado.
    Um grande abraço e o meu muito obrigado!
    Bruno.

  • http://colorscreen.blogspot.com Paulo

    dicas mto uteis, valeu!

  • Carmen.

    Meu filho,

    Com este artigo, ao definir o básico que sustenta suas decisões financeiras você desenhou o essencial: a importância da felicidade na realização pessoal.

    Independência financeira é um conceito muito pessoal e subjetivo, mas, com certeza, é o oposto da escravidão do TER e ter sempre mais, sem qualquer compromisso com mais nada a não ser com o modelo pre determinado pela sociedade de aparências em que vivemos.

    Quem passa pela vida perseguindo a fortuna sem nada na bagagem, pode até conseguir um grande resultado financeiro, mas vai acabar solitário e com as malas vazias de sentimentos e de grandes emoções verdadeiras, que se perderão pelo caminho exatamente na mesma proporção que aumentar a conta bancária.

    A nossa viagem, para ser perfeita, deve ser uma constante busca pela realização pessoal e social, como ferramenta para uma vida plena e feliz, como você anotou – porque só assim é capaz de valer a pena.

    Que Deus o ilumine sempre e faça manter viva sua maior razão para fazer crescer seu patrimônio financeiro, investindo cada vez mais na liberdade de fazer o que você gosta quando e como bem entender e sempre ao lado de quem você ama e respeita.

    Independência financeira é tão somente tudo isso!

    Parabéns pelo texto e, principalmente, pela coragem de se expor. Que sua sinceridade sirva de exemplo para todos nós neste mundo tão impiedosamente capitalista, afinal de contas, é tão simples ser feliz….

    Beijos.

  • http://www.ondeestaodinheiro.com.br/voce-quer-ganhar-mais-dinheiro.html/?ipc=2590301 Marcelo – Onde Está O Dinheiro

    Muito bom o artigo. Eu penso assim também. Comecei a buscar a independência financeira ainda bastante jovem, quando estava na faculdade e comecei a trabalhar e ter renda. Li muito livros, aprendi bastante, sempre muito interessado no assunto. Ainda não cheguei exatamente onde quero ainda.

    A Carmen. citou que independência financeira é um conceito muito pessoal, pode ser. Pra mim não tem nada a ver com ter milhares, milhões ou bilhões de reais. Pra mim independência financeira é renda, de forma residual, para manter um padrão de vida que a pessoa considere satisfatório. Pra alguns pode ser R$2.000,00 por mês, outros talvez precisem de R$40mil.

    Eu estou no meu caminho e tenho ajudado outras pessoas a construirem suas fontes de renda residual com o meu blog.

    A sensação de liberdade que a renda residual proporciona é muito boa.

    Sucesso a todos nessa jornada.
    Marcelo Braun
    ondeestadinheiro.com.br

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Quem já falou do Dinheirama?

Enxergo o Dinheirama como uma das principais fontes de informação sobre educação financeira e investimentos na internet. Não porque não existem outras iniciativas com informações úteis, mas sim porque o Dinheirama fala tanto ao público experiente quanto para o público iniciante nessas áreas, e nesse último caso, faz com uma didática admirável e extremamente difícil de se encontrar por aí. Me ajudou muito, me ajuda e ainda me ajudará bastante, com certeza.

Bernardo Pina

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