Satisfação profissional ou sucesso financeiro?
Publicado por Bernadette Vilhena em 29.8.2009 na seção Empreendedorismo, Pedagogia Econômica
Há alguns dias presenciei uma conversa muito interessante entre alguns alunos do ensino médio em ano de vestibular. O tema desse papo animado era “satisfação profissional versus ganhos financeiros”. Uns defendiam a vocação profissional, a felicidade de cursar a faculdade dos sonhos e outros alegavam ser o fator financeiro o ponto chave para definir qual carreira escolher. Dá para perceber que o debate não trata do "certo ou errado", mas de preferências individuais e valores.
Bem, não resisti e resolvi dar minha opinião lançando a seguinte pergunta: será que não é melhor pensar em unir competência profissional e geração de renda? Assim, acho que consegui mostrar um outro lado da história! Um lado que requer dedicação, foco e planejamento estratégico. O dilema, trabalhar no que gosta ou ganhar dinheiro, é muito comum nos jovens, mas também está presente nos profissionais com anos de estrada.
Resolver essa situação é tarefa que demanda aperfeiçoamento profissional constante, uso do marketing pessoal, uma boa rede de contatos e, principalmente, autoconhecimento. Tenho falado muito em competência e mercado de trabalho em meus artigos aqui no Dinheirama. O objetivo é proporcionar ao leitor oportunidade para autoavaliação e autocrítica. Somente quando sabemos quem somos, quais são nossas potencialidades e fraquezas poderemos chegar onde queremos, concordam?
Entendo que a satisfação financeira deve ser consequência de uma vida profissional bem direcionada. É como o Navarro fala em seu livro “Vamos falar de dinheiro?”: “Você merece viver em paz com seu dinheiro”. Assim, antes de pensar em separar sua vida financeira do trabalho que sempre desejou, procure estabelecer metas e ter um plano pessoal de vida que reúna essas duas perspectivas. O resultado será bem melhor, garanto! Para ajudar você nessa construção irei continuar abordando o assunto competência.
Outra dimensão da competência: a habilidade
Já sabemos que o conhecimento é um dos pilares da competência, o que já foi discutido no artigo “O conhecimento dentro da competência”. Mas, para ser competente em algo é preciso também ter habilidade. Todos nós somos hábeis em inúmeras situações, e isso pode ser percebido desde criança. É o nosso melhor jeito de fazer algo. Uns com habilidade lógica, outros com habilidade de comunicação, habilidades musicais e esportivas.
Ter habilidade é como ter uma chave de acesso para realizar uma ação com qualidade. No ponto de vista do consultor Enio Resende, habilidade é uma melhor maneira de agir, de aplicar conhecimentos e fazer coisas. Habilidade designa ação, é o saber fazer.
O trabalho realizado pelas instituições de ensino, desde os primeiros anos de vida da criança, tem como foco o desenvolvimento de habilidades. Os profissionais do ensino fornecem os conhecimentos necessários para o desempenho satisfatório das atividades, e é na prática que o saber fazer é desenvolvido. Durante aulas práticas, na resolução de exercícios, nos estágios, no cotidiano escolar e familiar é que surgem as primeiras oportunidades para descobrir as habilidades e desenvolvê-las.
Um exemplo de desenvolvimento de habilidades é o que presenciamos na carreira dos atletas. Pensando nesse universo pergunto a vocês: por que alguns nomes são destaques nesse meio se todos têm habilidades similares?
César Cielo, Hortência, Pelé, Daiane dos Santos e Tande são alguns nomes relevantes nesse meio. Vejam o exemplo de Oscar Schimidt, um ícone no mundo do basquete. Ele foi o maior cestinha da sua época porque era metódico e muito dedicado. Enquanto todos iam para casa após o treino diário, ele permanecia em quadra aperfeiçoando seus arremessos. Com isso ampliou muito sua habilidade com a bola e, consequentemente, seu sucesso na carreira!
A habilidade dentro das empresas
O esporte e o ambiente profissional possuem algumas similaridades. Notem que as empresas são compostas por funcionários com habilidades semelhantes. Mas todos nós conhecemos alguém que se destaca. E por quê? Certamente, essa pessoa, assim como Oscar, “lapidou sua habilidade” e fez dela seu diferencial. As empresas sabem da importância desse tipo de profissional e muitas já possuem programas para retenção desses talentos.
Esse diferencial pode estar presente no alto índice de vendas atingido por um funcionário, o que demonstra habilidade de negociação e persuasão. Ou naquela auxiliar administrativa que, em poucos anos, tornou-se gerente de RH graças à sua dedicação aos estudos e sua habilidade na condução de equipes. Os exemplos são muitos e esse sucesso está à disposição de todos que o buscarem!
Outro ponto muito importante no mundo empresarial e que merece atenção: o mercado também procura profissionais com habilidades comportamentais. É isso mesmo! Tão importante quanto o conhecimento e a habilidade técnica é a habilidade de saber relacionar-se. Por isso são observados, desde a fase de seleção de pessoal, aspectos como o desempenho em situações de estresse, resolução de conflitos, assertividade, habilidade de trabalhar em equipe e etc.
Agora pense em você, na sua história pessoal e procure identificar as habilidades que possui. Em seguida busque meios para melhorá-las. Talvez a lista a seguir ajude um pouco:
- Habilidade para cálculos;
- Habilidade de trabalho em equipe;
- Habilidade ao lidar com conflitos;
- Habilidade manual;
- Habilidade de negociação;
- Habilidade analítica e interpretativa de fatos;
- Habilidade de expressar-se com lógica e clareza;
- Habilidade de persuasão;
- Habilidade organizativa;
- Habilidade adaptativa.
Sugiro que coloque-se diante deste raciocínio: quando compreendo meu modo de agir, quais os conhecimentos que tenho e quais são minhas habilidades, sou capaz de decidir qual o melhor caminho a seguir. A decisão pode girar em torno da faculdade que pretende cursar ou do novo trabalho que irá procurar. O importante é unir realização profissional e satisfação financeira - e isso é possível!
Um conselho: o primeiro passo é querer fazer, ter atitude! Assunto para o próximo artigo. Até lá!
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Bernadette Vilhena é pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas. Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.
Crédito da foto para stock.xchng.
Bernadette Vilhena
Pedagoga empresarial, consultora em diversas instâncias da prática educativa nas empresas e autora do livro "Dinheirama" (Blogbooks). Especialista em Gestão de Pessoas e estudos nas áreas de Ergologia, Gestão do Conhecimento e Educação no trabalho.
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Bernadette, adorei este seu último texto. Venho seguindo esta construção do conceito de competência em seus artigos. Você está fazendo isto com muito conhecimento e habilidade. Parabéns!
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O mundo ideal sería unir as duas coisas, porém, nem sempre isso é possível. A recomendação é que quando o caminho aponte para uma plena satisfação é hora segurar essa oportunidade com unhas e dentes. Parabéns pelo post.
BÊ.......adorei seu último artigo!
Parabéns.....sucesso sempre!
Bjão da amiga Hially
Concordei na parte finanaceir, mas o que fazer é difícil...
Creio que não há como obter os dois, especialmente no meu caso, sou professora faço o que gosto mais não ganho o quanto ao menos seria justo receber.
Por isso é que minha frase predileta tem sido: "vôo-livre não combina com trabalho"...
Se um brasileiro médio vive 75 anos, ele dorme 25 anos e trabalha outros 25. Por fim, os 25 anos restantes (e míseros) são usados para comer, procriar, para ficar perto da família, educar os filhos, cuidar da saúde, praticar esportes, rezar, dedicar um tempinho pro lazer etc etc etc. São números desbalanceados. Mas algumas pessoas insistem em passar a imagem de que um "Oscar Schimidt" deve ser um exemplo dentro do trabalho... Ah Eva, se tu não tivesses comido aquela maçã!!!!
Muito bom o artigo parabéns, nunca tinha visto estes seus textos, eles possuem um enfoque muito bom em alguns assuntos "complexos", dependendo da situação, mas tratados de uma forma simples e que nos leva a reflexão.... Muito bom mesmo Parabéns mais uma vez.
muito bom esse artigo to ansioso para ver o proximo,isso pode me ajudar muito no meu futoro profissional até lá!
Falou, falou e não disse nada.
Estudantes com dúvidas querem respostas práticas, e não falação acadêmica/psicológica/comportamental. Na verdade, tudo o que foi dito nesse artigo pode ser encontrado facilmente em qualquer lugar da net.
O que o estudante tem que fazer é analisar se a profissão que ele quer pode ser realizada através de um curso mais prático. Se ele gosta de química pode fazer engenharia química ou química industrial. Se gosta de biologia pode fazer farmácia. No entanto, se ele gosta especificamente de paleontologia, não tem jeito tem que fazer biologia, que é um curso basicamente acadêmico. Nesse caso, somente com muita dedicação para vencer também na alçada financeira.
Mas o mais importante (essa dica também pode ser achado em qualquer lugar da net), faça algo que vc tenha muita muita afinidade. Gostar do que se faz é o primeiro passo para ganhar dinheiro.
Charles Rodriguez,
Obrigada pelo comentário. É preciso olhar o trabalho como algo que traga um retorno pessoal mais positivo , assim esses 25 anos ficarão mais agradáveis e os números mais balanceados, concorda?
Cito Oscar Schimidt em meu texto como um exemplo de desenvolvimento de habilidade, assim como Rogério Sene e Michael Jordan.
Sinceramente acho que o post poderia ser resumido em:
1. Conheça a sí mesmo.
2. Escolha aquilo que lhe dará prazer e satisfação, pois, uma vez munido disso, a chance de seu desempenho aumentar e você se destacar é muito maior, mesmo que você esteja em uma área cuja garantia de sucesso financeiro não seja tão grande.
Acho que se a pessoa faz o que gosta fará um bom trabalho sempre, se ela faz um bom trabalho sempre tem tudo se destacar e ganhar bem.
Formei-me em 2007 em Pedagogia Empresarial, antes da formação atuei em empresas sempre na area administrativa, atendimento ao cliente, telefonista, secretaria. Não fiz estagio. E não estou conseguindo me inserir nesta área no mercado de trabalho que outro caminho poderia seguir para me abrir portas nesta área, também já tenho 40 anos? Pensei em abrie uma agência de recrutamento mas por onde começar, ou ministrar cursos profissionais.
Obrigada.
Parabéns pelos seus artigos, és muito competente.
Jorge,
Tudo é uma questão de ponto de vista!
Como mencionei no artigo estou trabalhando o conceito de competência. O assunto realmente não é inédito, é o meu olhar fundamentado em anos de experiência e muito estudo.
Infelizmente nem sempre temos respostas práticas em nossa vida, muitas vezes precisamos somente de autoconhecimento e autocrítica. As ciências humanas humanas ajudam muito nesse sentido.
Concordo com você: "Gostar do que se faz é o primeiro passo para ganhar dinheiro" mas é preciso muita competência para se manter no mercado de trabalho.
Simone,
Estude o mercado e elabore um plano de negócios, o Sebrae poderá ajudar muito nesse sentido. É preciso descobrir o que sua cidade precisa.
Você pode atuar como consultora empresarial independente, nos departamentos de RH das empresas, em agências de emprego, ONGs. Boa sorte!
Bom dia! Bernadete, tambem sou pedagoga empresarial, mas não atuo na área, estou pensando em trabalhar com teatro nas empresas junto ao setor de desenvolvimento, teatro voltado a problematica da empresa, o que você acha desta ideia?
Maria Elisa,
A idéia de trabalhar teatro nas empresas é muito boa. A única limitação que vejo é a adesão dos funcionários, para isso será preciso um trabalho de sensibilização nesse sentido.
O teatro provavelmente melhorará o clima organizacional e a vida pessoal dos participantes.
A leitura de Jacob L. Moreno e a prática psicodramática ajudará na construção das ações.
Boa sorte!
[...] Satisfação profissional ou sucesso financeiro? – “Sugiro que coloque-se diante deste raciocínio: quando compreendo meu modo de agir, quais os conhecimentos que tenho e quais são minhas habilidades, sou capaz de decidir qual o melhor caminho a seguir.” [...]
[...] e mais oportunidades. Convido você a ler mais sobre o tema escolha profissional acessando o artigo “Satisfação profissional ou sucesso financeiro” na seção Pedagogia [...]