Empreendedores e a educação financeira
Publicado por Matheus Zeuch em 18.5.2010 na seção Educação Financeira, Empreendedorismo
Imagine a seguinte situação: Alberto é dono de uma padaria bem localizada numa grande cidade. Seus produtos são de ótima qualidade, o ambiente é limpo e organizado, seus preços não são muito altos e os clientes estão sempre satisfeitos. Alberto, por ser o único dono do negócio, nunca se preocupou em separar muito bem suas contas pessoais das da empresa.
Frequentemente, Alberto paga fornecedores com seu próprio dinheiro ou retira capital do caixa para pagar uma conta pessoal. Seu padrão de vida é bom e ele sempre consegue manter uma reserva de capital de giro na "conta" da empresa. Seu negócio mantém o mesmo faturamento há 12 meses e ele não vê muitos motivos para mudar seus hábitos.
No caso relatado, mesmo parecendo estar tudo bem com Alberto e seu negócio, basta um concorrente à altura abrir as portas na mesma região, os preços dos insumos aumentarem ou a família de Alberto assumir uma nova dívida que ambos serão afetados, Alberto e seu negócio.
Um dos maiores motivos que levam pequenas empresas à falência é a má administração do fluxo de caixa da empresa. E um empresário que não consegue controlar com eficiência o seu próprio fluxo de caixa, certamente também não o fará na sua empresa. Os erros mais comuns e mais graves ao administrar o fluxo de caixa de uma empresa são:
Erro 1: Misturar contas pessoais com as da empresa.
Os sócios devem definir um valor mensal para retirar da empresa. E para saber quanto realmente precisam para manter seus padrões de vida, precisam ter suas próprias finanças sob controle. Além disso, precisam ter disciplina, para não reajustar seus salários cada vez que o negócio dá um salto no faturamento. O reajuste deve ser planejado anualmente e deve levar em conta os objetivos da empresa.
Erro 2: Gastos desnecessários.
Ao iniciar um negócio, são listados todos os investimentos necessários para estabelecer a empresa e é estimado o tempo de retorno deste investimento. Infelizmente, quando a empresa já está funcionando, novos investimentos normalmente não seguem o mesmo cuidado. O ideal é que cada aquisição da empresa venha a diminuir as despesas ou aumentar as receitas; e o novo retorno do investimento deve ser calculado.
Erro 3: Pouco controle do fluxo de caixa.
Todas as contas devem ser registradas em algum lugar, seja uma simples planilha eletrônica ou um poderoso software de gestão. Tanto as contas à pagar quanto as à receber. O mesmo vale para o patrimônio e os investimentos da empresa, quando existentes. E este fluxo de caixa, considerando receitas e despesas, deve ser analisado mensalmente, de preferência em contraste com as metas do período.
Erro 4: Muito foco nas despesas.
Quando você foca seus esforços em reduzir as despesas, você tem um limite: pode reduzi-las a zero (ou o mais próximo possível disso). Já quando você foca seus esforços em aumentar suas receitas, você não tem limite algum. Esse é pensamento que o empreendedor tem que ter em mente ao controlar o fluxo de caixa da empresa. Controlar fluxo de caixa não é cortar despesas, mas sim conhecê-las bem para pode estabelecer boas metas para as receitas.
Mesmo contratando um profissional para cuidar das contas da empresa, é fundamental para a saúde do negócio o sócio ter boa educação financeira. Sócios sem educação financeira adequada e que não conseguem controlar seu próprio fluxo de caixa familiar um dia acabam precisando retirar da empresa mais dinheiro do que o previsto.
Quanto menos o empreendedor retirar da empresa, mais ele poderá reinvestir no negócio, fazendo-o crescer ainda mais. E isso é ainda mais importante durante o primeiro ano da empresa. Além disso, quanto mais tranquilo e organizado for o fluxo de caixa do próprio empreendedor, mais ele poderá focar no negócio, com menos preocupações e administrando uma empresa financeiramente saudável. Conclui-se que educação financeira é fundamental para empreendedores de sucesso.
Crédito da foto para freedigitalphotos.net.
Matheus Zeuch
Analista de negócios, formando em Sistemas de Informação pela Ulbra e Técnico em Informática pela Univates. Foi desenvolvedor e aplicações web por 6 anos e hoje é consultor da SAP. Em seu blog pessoal - www.matheuszeuch.com - escreve sobre empreendedorismo e administração de pequenos negócios desde 2007. No Twitter: twitter.com/matheuszeuch.
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Muito bom o artigo e inclusive serve bem para administração financeira doméstica, onde não há controle algum e disperdícios aliados a falta de planejamento simplesmente a situação financeira de ambos é levada aos trancos e barrancos.
Um abraço e sucesso.
Parabéns Matheus, ficou bem legal o artigo... o que disse é bem certo, só um detalhe que eu tô em dúvida, como é que se muda os hábitos destas pessoas????.. :D Principalmente daquelas que já fazem isso a tempos, e ainda acham que estão fazendo a coisa certa, e que não conseguem ver o "navio" afundando?? Se tiver uma dica agradeço muito.... :D
Velho, no mais parabéns de novo, te sigo no twitter e já li vários posts teus, e continua com teu trabalho que tá MUITO BOM...
Olá Maicon,
Muito obrigado, bom saber que está curtindo os artigos.
Sobre sua questão, não necessariamente o "navio está afundando", ele pode simplesmente estar ancorado num mesmo lugar, sem conseguir seguir adiante, aumentar o faturamento, fazer a empresa crescer, etc. Muitos empresários estão satisfeitos, inclusive, com essa situação. Seus padrões de vida estão adaptados à isso.
A questão é que essa falta de educação financeira é uma ameaça, que pode se concretizar em impacto para e empresa ou não. O mesmo com uma pessoa sem educação financeira adequada mas ganha muito bem, como vários jogadores de futebol, por exemplo.
Para mudar isso, é preciso o mesmo esforço, estudo, prática e disciplina, por parte da pessoa, que ela precisa para aprender qualquer coisa nova, como por exemplo tocar violão.
Abraço,
Matheus Zeuch
Olá Matheus,
pois é... A verdade mesmo é que ainda não tenho as dimensões reais em que se encontra a empresa, mas pelas informações superficiais, poderia dizer sem "mentir" muito que a divida da empresa já supera 2x o seu Faturamento, isso Sem descontar pagamentos de salario, impostos, etc... :D É... parece um pouco assustador ( pra mim ), talvez por isso tenha dito "afundando", mas a empresa tem condições de crescer, pois os clientes que possui estão satisfeitos, e está crescendo ( no conceito e em nome ), porém a adminsitração até hoje era desorganizada, vamos ver o que vai sair agora começando a mudar alguns hábitos e processos. Como comentei com um colega aqui, o que não me falta é vontade, mas infelizmente aprendi que só isso não leva ninguem a lugar nenhum, se não dedicar a conhecer mais daquilo que você está trabalhando. Estou disposto e começando a longa jornada, mas encontrar soluções para aquilo que é novo não me parece tão simples, muito menos rápido. E sabe aquele ditado: "O tempo é realmente relativo, depende de qual lado do banheiro que você está!" :D
Por hora, vou acompanhando pessoas que entendem como vc, e tentando dar um rumo melhor para a empresa. Mais uma vez parabéns!
Gostei da parte que devemos nos focar em aumentar as receitas no lugar de diminuir despesas. Isso faz toda a diferença.
Concordo com o Prof. João Batista de que esse artigo também se aplica muito bem a administração financeira doméstica, onde muitas vezes gastamos desnecessariamente quando nos deixamos controlar pelo nosso lado emocional quando o racional deveria estar em primeiro lugar.
Abraços e sucesso,
Oi Matheus!
Parabens pelo artigo, muito bem escrito por sinal.
Realmente nos faz pensar em como pequenos erros podem tornar-se grandes e de fato arruinar um negocio, seja ele de grande pequeno porte. E isso tambem se aplica a vida diaria, ao nosso cotidiano. Uma verdadeira licao de administracao financeira.
Um abraco da tua tia e madrinha,
Anneliese
muito bom o conteudo.. um passo para min ncomeçar minha jornada..
um abraço...... Paulo Marcos