Agente BR: temos nosso próprio Madoff!?
Publicado por Conrado Navarro em 19.3.2009 na seção Ações
Que o Brasil tem muitos picaretas, todo mundo sabe. Mas qual o tamanho da picaretagem realizada pelos brasileiros? Há pirataria, tráfico, negociações políticas em trocas de influência e muito mais. Mas, será que temos também fraudes no sistema financeiro? O escândalo financeiro protagonizado pelo Sr. Bernard Madoff nos Estados Unidos trouxe luz a uma antiga afirmação popular: “quando a esmola é demais, até o santo desconfia”. E se você tivesse oportunidade de investir em um clube de investimentos com retornos de 10% a 30% ao mês. Toparia? Por que? Por que não?
André, um amigo e leitor deste blog desde os seus primeiros textos, enviou-me ontem um e-mail dizendo “Navarro, nós temos nosso próprio Madoff!” e anexando uma matéria do jornal Valor Econômico sobre a empresa Agente BR Assessoria, do grupo Agente BR Corretora de Câmbio. Para começar, a empresa teve liquidação decretada em janeiro deste ano pelo Banco Central por não atender aos pedidos de atualização cadastral e registro diante das autoridades.
Promessas de retornos fantásticos e nenhuma informação sobre os produtos eram os trunfos iniciais das conversas entre potenciais clientes e os gestores. E para chegar até lá, só com indicação de amigos. Fica fácil compreender porque os próprios aplicadores estão comparando este caso ao do emblemático, e agora preso, Sr. Madoff: ao que parece, quase tudo era falso, simplesmente como fachada para captar dinheiro em um esquema pirâmide.




E a crise do subprime não para de causar espanto. Agora vemos o início de um debate que coloca do mesmo lado gente como Paul Krugman e Alan Greenspan: o debate pela nacionalização dos bancos americanos. A palavra que sequer é pronunciada pelos americanos (lá é conhecida como “n-word”) trata-se da estatização pura e simples dos bancos em dificuldades.
Confesso que mesmo trabalhando diariamente com números, tenho certa dificuldade em interpretar e aceitar certos acontecimentos econômicos/financeiros. Não trata-se de deficiência técnica, mas do susto ao contemplar drásticas mudanças nos rumos de empresas e governos. O final de fevereiro e o mês de março são épocas sempre muito aguardadas pelo
Existe um ditado popular que diz: “Quando tudo mais falhar… leia o manual”. É exatamente isso que vou propor para que possamos finalmente entender que diabos é essa crise financeira internacional. Entendo que devemos consultar o manual – ou, no caso, o livro-texto de
Ficou para trás o Carnaval de 2009. Quem teve a oportunidade de acompanhar um pouco a festa de Momo teve a oportunidade de notar os reflexos da crise nos desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo. O luxo não foi tão nítido como nos últimos anos e mesmo os ingressos tiveram suas vendas realizadas com certa dificuldade. Mas, enquanto o Brasil parava para comemorar, o mundo continuava dando mostras de que a crise continuará forte nos próximos meses.
















