Nos últimos meses, uma pergunta (que estava um pouco esquecida) voltou a fazer parte do meu dia a dia. São e-mails, mensagens pelas redes sociais, telefonemas de leitores e amigos querendo saber o melhor investimento para esse novo momento do país.

O discurso é quase sempre o mesmo: a economia começa a dar sinais de melhora e agora parece ser uma boa hora para investir. E então, qual o melhor investimento?

Os seres humanos são realmente engraçados. De forma geral, queremos facilidades na hora de tomar decisões ou, no pior dos cenários, ter alguém para culpar se algo der errado.

Recebemos também mensagens longas com todo o histórico de financeiro de algumas pessoas que já investiram e procuram justificar suas decisões (péssimas, muitas vezes). Muitas pessoas buscam uma espécie de redenção pela culpa ao optar por produtos ruins, dada a falta de conhecimento.

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Vamos colocar ordem na casa

Se você vive o dilema envolvendo a decisão de onde investir com a recuperação econômica do Brasil, tenho uma mensagem bem direta: você cometeu um erro grave.

Um erro, sim, pois investir não deve ser algo feito somente nos momentos de recuperação ou crescimento da economia.

O investidor inteligente sabe que investir é algo que ele deve fazer sempre. Por mais que o senso comum possa demonstrar o contrário, as melhores oportunidades costumam surgir justamente nos momentos de crise.

Nos momentos mais complicados, os ativos costumam ficar subvalorizados. Com os juros mais altos, pessoas com dívidas costumam baixar o preço de seus bens e decidem vendê-los para fazer caixa. Exemplos não faltam.

Muita gente se tornou (e está no caminho de se tornar) milionário justamente porque soube aproveitar as oportunidades que surgiram nas crises.

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Falando em crise…

Analisando friamente o discurso de que a economia está dando sinais de melhora, isso é realmente verdade?

Olhando alguns números recentes e lendo os relatórios emitidos pelo mercado parece que a economia efetivamente começa a dar sinais positivos.

O relatório de mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira (24) pelo BC, mostra que a mediana para o IPCA – o índice oficial de inflação – em 2017 foi de 4,06% para 4,04%. Há um mês, estava em 4,12%.

Já a projeção para o IPCA de 2018 foi de 4,39% para 4,32%, ante 4,50% de quatro semanas atrás. Na prática, as projeções de mercado divulgadas no Focus indicam que a expectativa é que a inflação fique abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%).

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Inflação controlada é sinal de que os juros poderão continuar caindo 

O mesmo relatório Focus mostrou que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 8,50% ao ano. Há um mês, estava em 9,00%.

O relatório indicou ainda que a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim de 2018 permaneceu em 8,50% ao ano. Há um mês, a projeção estava no mesmo patamar.

Se alguns números passaram a ser positivos, outros continuam a trazer preocupações ao mercado, o mais expressivo sendo o desemprego.

Desemprego: estamos longe de encontrar uma solução

De acordo com os últimos números apresentados pelo IBGE, o desemprego entre dezembro e fevereiro bateu novo recorde e chegou a 13,2%.

Pela primeira vez, o número de desempregados ultrapassou os 13 milhões. Ao todo, foram 13,5 milhões de pessoas procurando emprego no período.

O número representa uma alta de 1,4 milhão com relação ao período entre setembro e novembro, quando a taxa de desemprego foi de 11,9%.

O desemprego é o índice mais trágico para qualquer governo, pois afeta diretamente a vida financeira das pessoas, que deixam de consumir e travam a economia.

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Futuro: crise política e eleições 2018

A agenda política vai continuar quente nos próximos meses. A crise política parece não ter fim, com políticos dos partidos mais conhecidos investigados por supostas participações em enormes esquemas de corrupção.

Ao mesmo tempo, o governo do presidente Temer (ele também é citado em delações) tenta aprovar reformas importantes para o futuro do país, especialmente as reformas da previdência e trabalhista.

Tudo isso sem tirar do horizonte as eleições presidenciais de 2018, onde o atual favorito (de acordo com as pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Lula) é um dos principais nomes envolvidos nas investigações de corrupção.

Todos esses ingredientes fazem com que o futuro do país seja uma incógnita, algo tenebroso para quem busca um cenário previsível e que coloca em xeque a ideia de que o país está efetivamente se recuperando.

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Você precisa ter um plano para investir sempre

Se você está contando com a melhora da economia do Brasil para investir, esse texto pode jogar sua expectativa no lixo. O país continuará com muitas incertezas, mas também com oportunidades para quem quiser investir seguindo uma estratégia.

Para começar, você precisa tratar dos investimentos como uma prioridade e não apenas considerar a possibilidade de investir quando sobrar algum dinheiro no final do mês. Com crise ou sem crise, investidor todo mês é fundamental.

Separe um percentual de seus rendimentos para investir. Minha sugestão é que esse percentual seja de pelo menos 10% (idealmente, 20% ou mais).

Outro ponto fundamental para investir é definir objetivos para seu dinheiro aplicado. Afinal, você pretende investir para quê? Quanto custará esse objetivo? Quanto tempo você precisará investir para chegar lá?

Respondendo essas questões ficará muito mais fácil encontrar os melhores produtos financeiros, que então estarão de acordo com o que você de fato deseja.

Também é importante abrir sua mente para investir em produtos que nem sempre são os convencionalmente oferecidos pelos bancos tradicionais. Hoje existem opções interessantes nos bancos menores e nas corretoras independentes – que, além do mais, também apresentam atendimento diferenciado.

Conclusão

Investir “por investir” ou investir “porque o país vai voltar a crescer” está errado. Investir sempre, com a perspectiva de realizar objetivos, é a melhor maneira de se manter focado e não correr o risco de gastar o dinheiro na primeira oportunidade de consumo.

Para finalizar, convido você a acompanhar um vídeo feito pelo meu amigo e sócio Conrado Navarro, com os 4 hábitos dos investidores de sucesso:

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Aproveite e faça desse conteúdo um incentivo ainda maior para você investir cada vez mais hoje e sempre. Até a próxima!

Ricardo Pereira
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