dinheirama-post-planejamento-financeiro-condicao-ser-felizEm uma noite fria do inverno gaúcho, eu me encontrava na sala de aula com uma turma de aproximadamente cinquenta alunos na faculdade. Antes de iniciarmos a aula de economia, solicitei aos presentes que enumerassem cinco das principais necessidades que cada um possuía e que de fato era importante para eles.

A princípio, ânimo geral e nada de complicado na dinâmica. Muitos tinham claro que seria apenas o tempo de pegar o papel e caneta ou notebook para listar o solicitado.

Mais de dez minutos depois, a maioria ainda não havia escrito duas das principais necessidades que acreditavam ser importantes para sua vida. O solicitado era bem simples, dizia respeito das necessidades individuais de cada um. As expressões alegres deram espaço para sentimentos de angústia e, em alguns casos, de frustração consigo mesmo.

Meu objetivo era bem claro e penso que cabe a cada um de nós exercitarmos esse pensamento de forma constante.

Quais de fato são as nossas principais necessidades? Você já fez a sua lista de necessidades prioritárias? O que está esperando? Vamos ver se consegues chegar às cinco mais importantes antes de cinco minutos!

Sempre é bom dar uma relembrada na pirâmide de Maslow, que em sua base apresenta as necessidades básicas e segue até as necessidades de auto realização, mas quais são as suas? Da base ou do topo?

Minha proposta é irmos fundo e descobrirmos quais são as nossas reais necessidades, pois somente seremos felizes e conseguiremos satisfazer as nossas necessidades se de fato identificarmos quais são elas.

E mais, após ter identificado, questionar se de fato são as nossas principais necessidades. Lembre-se que de acordo com as fases da vida e com o momento que estamos vivendo, há oscilações de valores e por vezes as necessidades se alteram.

O que importa é saber que só será feliz aquele que satisfazer as suas necessidades (as reais necessidades!).

Os marqueteiros de plantão fazem o papel deles, inventam necessidades que, por vezes, de fato não temos. Dizem-nos o que fazer e o que comprar. Fazem associações entre o “ter algo” e a felicidade. E na maioria das vezes, nós caímos nessa falácia.

Estatísticas comprovam que famílias com renda de até dois mil reais gastam por impulso 50% dos seus rendimentos. Já as famílias com renda de até sete mil reais, que hipoteticamente teriam uma compreensão melhor das coisas, gastam por impulso 70% dos seus rendimentos.

Outra questão fundamental nessa relação de ser feliz é a associação confusa com as necessidades econômicas. Cabe aqui outra questão: será que a “moda” é uma forma de nos manter como constantes consumidores? Que dúvida!

Segundo o IBGE, 85% das famílias brasileiras possuem problemas financeiros em função da má administração dos gastos. Sinceramente, espero que você faça parte dos 15% restantes! Caso não faça, pare e reflita sobre a compatibilidade da sua renda com os seus gastos. E ai? Tudo bem?

Você já se perguntou por que algumas pessoas com rendimento bem abaixo do seu conseguem ser felizes? Aparentemente são até mais felizes que você e eu, já percebeu? A resposta é simples: elas conseguem administrar sua renda de forma compatível com os seus respectivos gastos e, provavelmente, administram bem suas finanças.

Na teoria econômica, existem diversos estudos que comprovam que a felicidade está associada com a expectativa que temos e, principalmente, com a relação social que temos.

Por exemplo, um africano ao ter uma renda de dois mil dólares e pertencer ao grupo dos que mais ganham em sua comunidade, provavelmente, segundo o estudo, será mais feliz do que um cidadão americano com uma renda de quatro mil dólares, caso sua rede social tenha uma renda superior a ele. Será? Pense sobre as suas relações e verá que tem tudo a ver.

Esse estudo nos deixa duas lições: a primeira associa a questão econômica com a felicidade pessoal. A segunda nos diz que precisamos nos adequar com a nossa realidade e não buscar em cenários de novela ou padrões pré-estabelecidos a nossa satisfação, pois essa procura poderá não ter fim.

Qual a solução então? Razão ou emoção? Presente ou futuro? Diversão ou poupança? Parece-me que parte da resposta está na forma como você está dirigindo a sua vida. Será que a sua renda é o mais importante ou o fundamental é quanto você gasta? Sua busca pela satisfação está nas suas reais necessidades?

Fazendo uma relação econômica, quero enfatizar a importância do planejamento orçamentário. Se isso vale para empresas, também vale pra você.

Lembro da história de um amigo fumante que desejava comprar uma moto para economizar nas passagens. Para a renda de dois salários mínimos, isso seria impossível.

Ele se planejou e ao parar de fumar duas carteiras por dia, além de não gastar tanto com a sua saúde, ao final de três anos tinha economizado mais de sete mil reais – e pôde comprar uma excelente moto. Repare que ele não alterou a renda, apenas administrou seus gastos! E você? Poderia economizar três reais por dia? Em cinco anos terás um carro!

Venho tentando, ao longo de mais de vinte anos de experiências, convencer empresas e pessoas que felicidade e sucesso devem ser construídos aos poucos e que isso não é nada complicado e tão pouco algo ruim.

Na verdade, para muitas pessoas isso é a salvação e a liberdade sobre si mesmo, um aliado no contexto que vive. Mas para isso é fundamental ter claro quais são as suas reais necessidades.

Espero que não seja seu caso, mas quando vem a questão “O que deve ser feito para se livrar das dívidas?” cada um de nós possui diversas respostas, mas nenhuma funcionará se seus hábitos e costumes seguirem iguais e mais uma vez, se não tiveres claro o que de fato ira te satisfazer.

Se não tenho a solução para todos os problemas, tenho dez conselhos que podem ajudá-lo:

  1. Coloque em uma lista as suas prioridades, você vai se surpreender!
  2. Não compre por impulso! Consumo consciente é satisfazer a necessidades de forma adequada. Na hora é bem complicado, mas depois sentirás um prazer ainda maior;
  3. Mantenha sua ficha de cadastro em alta. Se ainda não precisou de crédito, um dia irá precisar;
  4. Jamais pense no valor da prestação que irá pagar, pense sim no valor total do produto que deseja;
  5. A gestão financeira não é complicada. Deveríamos aprender na escola;
  6. Analise se o seu padrão de vida é compatível com sua renda. Isso é difícil de aceitar, mas é por ai;
  7. Planejamento financeiro é fundamental. Organize o que será gasto com sua renda: saúde, educação, lazer, moradia e seja dono de seu futuro. Prefira comprar por opção e não por imposição;
  8. Procure se ocupar com diversões e lazer que não custem caro, ou que pelo menos sejam compatíveis com sua realidade;
  9. Controle seus gastos e depois compare com o que havia planejado. No início haverá erros, mas em breve você será recompensado com a sua realidade e estabilidade econômica;
  10. Se o que comentei não te sensibilizou, procure a ajuda de um especialista. Hoje você pode não se preocupar, mas certamente pagará esse custo amanhã.

Lembre-se: a impossibilidade de comprar não é “feia”, é uma condição. Pior é a opção de comprar e não poder pagar, isso é frustração. Desejo sucesso em sua vida financeira. Deixe sua opinião sobre o texto no espaço de comentários abaixo. Forte abraço e até a próxima.

Foto business workplace, Shutterstock.

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