Selic bate 10% ao ano: dois dígitos para combater a inflaçãoE aconteceu o que a maioria dos analistas do mercado financeiro aguardavam. Depois de quase dois anos, o Brasil voltou a ter a taxa básica de juros, a conhecida Selic, acima de dois dígitos. O reajuste de 0,5 pontos percentuais elevou os juros para 10% ao ano e consolidou o Brasil como o país com maiores juros entre as principais economias do mundo.

Em decisão unânime, o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deixou claro que a inflação continua sendo um problema que merece atenção especial do governo: “O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência”, resumiu o comunicado.

“Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10% ao ano, sem viés”, disse o Copom, alterando o texto que utilizou nas últimas quatro reuniões.

A Selic é usada pelo BC para tentar controlar o consumo e a inflação, ou estimular a economia. Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o preço das mercadorias cair, controlando a inflação, em tese. O outro efeito é claro: juros altos seguram a economia e fazem o PIB (Produto Interno Bruto) crescer mais lentamente.

A mensagem do Banco Central não deixou pistas sobre a continuidade do processo de ajuste da taxa, o que pode significar que em 2014 as primeiras reuniões não trarão nova elevação da Selic. Acompanhe abaixo a evolução da Selic nos últimos anos:

Evolução da Taxa Selic

Caderneta de Poupança

O investidor de caderneta de poupança não terá alterações em sua rentabilidade, já que o cálculo da poupança, quando a Selic está igual ou acima de 8,5% ao ano, é definida em 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial).

Já os fundos de investimento têm rendimento superior à caderneta de poupança apenas quando as taxas de administração forem menores do que 2% ao ano. Mais uma vez se torna importante a postura ativa do investidor na procura pelas melhores oportunidades e taxas.

Tesouro Direto

Não é de hoje que destacamos para os investidores como o Tesouro Direto ganha espaço como uma boa alternativa de investimento. Em um artigo aqui mesmo no Dinheirama, Conrado Navarro explicou didaticamente como investir no Tesouro Direto, acompanhe:

Títulos públicos são ativos de renda fixa cujo objetivo é viabilizar a captação de recursos para: a) financiar o déficit orçamentário; b) refinanciar a dívida pública; e c) realizar operações para fins específicos, definidos em lei. A emissão dos títulos envolve duas autoridades econômicas brasileiras:

  • Tesouro Nacional, responsável pela gestão da dívida pública federal (interna ou externa), que emite os títulos em caráter de Política Fiscal;
  • Banco Central (BC), responsável por operar os títulos públicos federais, que faz a compra e/ou venda dos títulos no mercado secundário como parte da Política Monetária.

O Tesouro Direto oferece ao investidor títulos que estão vinculados a variação da Selic e também títulos que oferecem ao investidor proteção contra a inflação (IPCA) mais juros definidos no momento da compra.

Quem quiser buscar mais informações sobre o assunto Tesouro Direto, fica o convite para baixar o eBook gratuito escrito pelo amigo André Massaro: “Guia Fácil sobre o Tesouro Direto” (clique para download). O eBook foi escrito a pedido do home broker Rico.com.vc, para baixar é só preencher o cadastro.

2014: inflação, eleições e muitos desafios

As projeções para 2014 são conflituosas e estão longe de um consenso. Muitos analisam que os juros precisam subir mais, já que a inflação não foi totalmente controlada e ponderam que os preços não subiram mais pelo forte controle nas áreas administradas pelo governo (o maior exemplo disso são os combustíveis).

Outros acreditam que em razão das eleições e a necessidade de fazer o país crescer, o governo irá tolerar a inflação em torno de 5,9% no próximo ano – vale lembrar que o centro da meta de inflação é 4,5% ao ano.

Está mais do que claro que o grande problema do país não é apenas o consumo das famílias. O governo gasta muito, mas gasta mal e não investe em áreas que são importantes e que fariam o país crescer de forma sustentável.

Até quando teremos que conviver com uma máquina pública inchada e ineficiente? Se quisermos ter juros civilizados, precisamos começar a enfrentar esses problemas de forma urgente. Feliz 2014, se possível! Até a próxima.

Foto “Business man point graph”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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