Se alguém te perguntar o que é Selic, o que você irá responder? Talvez algo como “é a taxa de juros do país”. Ok, mas o que isso significa? Como ela afeta a economia do país? Quem a controla, e por que esse controle é feito?

Entender um pouco sobre a taxa Selic é importante para você administrar suas finanças pessoais e compreender como ela se relaciona de forma direta e indireta com o seu bolso e com a economia de toda a nação.

Vamos começar passando por uma explicação mais técnica (e talvez chata para alguns), mas necessária. Depois vamos para as implicações práticas.

Entendendo a taxa Selic

Selic é uma abreviação para o Sistema Especial de Liquidação de Custódia. Este é um sistema eletrônico, utilizado pelo nosso governo, sob a gestão do Banco Central. Ele existe para controlar a emissão ou negociação (compra e venda) de títulos.

Governos emitem títulos para arrecadar dinheiro. Quando você compra um título público Tesouro Selic, por exemplo, está emprestando dinheiro ao governo, que em troca paga juros para você.

Ebook gratuito recomendado: Invista sem medo em títulos públicos

No entanto, quem mais compra esses títulos do governo são os bancos. Só que os bancos precisam cumprir certas regras para funcionarem.

Uma delas é que eles coloquem uma porcentagem definida de todos os seus depósitos em uma conta do Banco Central. Isso evita o excesso de dinheiro em circulação, algo que é importante para manter o controle da inflação.

Agora pense na quantidade de operações que um banco faz ao dia, e multiplique pela quantidade de bancos que há no país. É muito difícil controlar tudo isso, e muitas vezes os bancos terminam o dia com a tal porcentagem maior ou menor do que o exigido pelo governo.

Para cumprir a lei, precisam tomar empréstimos, uns dos outros, de curtíssimo prazo (normalmente por apenas 24 horas, o overnight). Os bancos que emprestam costumam exigir garantias, e os  títulos públicos funcionam bem como garantias.

Tudo isso foi explicado para você entender na prática a definição da taxa Selic. Ela é a taxa média ponderada e ajustada dessas operações de empréstimos (ou financiamentos) por um dia.

Leitura recomendada: Como viver de renda com o Tesouro Direto e ter um futuro tranquilo

As reuniões do Copom

Com toda essa movimentação dos bancos, todos os dias é apurada uma pequena taxa de juros, chamada taxa Selic diária. Esta taxa, quando é anualizada, recebe o nome de taxa Selic anual.

Você já deve ter acompanhado nos noticiários os resultados daquelas reuniões periódicas do Copom (Comitê de Política Monetária). Elas acontecem a cada 45 dias, totalizando 8 encontros ao ano.

O Copom é quem estabelece a meta da taxa de juros Selic para o período de 45 dias a seguir. Essa meta é o parâmetro utilizado pelos bancos para determinarem o custo daqueles empréstimos diários que eles fazem uns aos outros.

Observe que a meta da taxa Selic não é a mesma coisa que a taxa real apurada. Esta última é calculada diariamente, conforme explicamos.

Elas caminham bem próximas uma da outra, mas os rendimentos dos seus investimentos atrelados à Selic (como, por exemplo, o Tesouro Selic) vão render conforme a taxa Selic real. Para você ver a diferença entre a meta Selic e a taxa Selic real atualizada, clique aqui.

Vídeo recomendado: Tesouro Direto: Uma Estratégia Simples para Começar a Investir

A taxa Selic e o consumo

A taxa Selic está também associada ao chamado custo do dinheiro. Quando ela é reduzida, o consumo da população tende a aumentar, porque o crediário se torna mais barato, e isso estimula as pessoas a comprarem mais.

Com o aumento do consumo, essa demanda pode superar a oferta, e isso gera um efeito ruim chamado inflação. Para conter a inflação, um dos instrumentos utilizados é elevar a taxa básica de juros (ou taxa Selic).

Com isso o custo do dinheiro fica mais alto, e crediário também, e a população começa a conter seus gastos, reduzindo a demanda. Isso provoca uma retração na economia, redução nos preços dos produtos e serviços, e tudo isso faz a inflação cair.

Esta é uma explicação simplificada, é claro, pois há questões mais complexas envolvidas. No entanto, o importante é você ter em mente que uma taxa Selic em elevação gera retração de consumo. Taxa Selic em queda, estimula o consumo e a economia (mas pode gerar inflação).

A taxa Selic e o (des)emprego

Como a taxa Selic influencia o consumo, ela também influencia, por consequência, o volume de negócios das empresas. Isso está diretamente associado à necessidade ou não de mão-de-obra.

Menos negócios, menos vendas, menos lucros, e menos necessidade de funcionários trabalhando, sejam nas linhas de produção ou na venda direta com o cliente. Isso faz o desemprego aumentar. A recíproca também é verdadeira.

Podcast recomendado: Queda dos juros – conheça as ameaças e oportunidades dessa nova realidade

Considerações finais

É interessante observarmos a correlação entre os períodos de fartura ou crise econômica com as taxas Selic respectivamente em baixa ou alta.

Aquelas pessoas que se descontrolam com suas finanças pessoais nos períodos de “vacas gordas” e terminaram se endividando, passam a sofrer mais com a alta dos juros, pois as parcelas das prestações aumentam, bem como o risco de desemprego.

Por outro lado, quem fez a tarefa de casa nos tempos de bonança, pode aproveitar a elevação dos juros para lucrar ainda mais no mercado financeiro. Por isso é tão importante educar-se financeiramente.

Quem cuida bem do próprio dinheiro não sofre (ou sofre menos) nos momentos de crise, pois essas pessoas sabem extrair o melhor de cada momento econômico.

Numa outra oportunidade escreverei sobre a relação da taxa Selic com os seus investimentos. Até lá! Abraços!

Giovanni Coutinho
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários