Osvaldo diz: “Navarro, tenho acompanhado com mais frequência o noticiário econômico, especialmente as informações a respeito dos investimentos e possibilidades de aumento de patrimônio. No passado não tão distante, o Brasil negociava bastante ouro e hoje parece que este investimento caiu no esquecimento. Como posso investir e comprar ouro sem ter uma fortuna para comprar logo muitas gramas? Vale a pena? Obrigado”.

Com a sofisticação do mercado financeiro, tanto aqui quanto lá fora, a procura pelo ouro, metal precioso com grande valor de mercado, diminuiu gradativamente. Uma contextualização se faz necessária neste sentido: o ouro perdeu seu apelo porque outras alternativas de investimento  mais práticas e rentáveis surgiram. A negociação direta de ações e contratos (home broker), fundos específicos e investimentos programados são alguns exemplos da modernização.

Então veio a crise e o ouro passou a ser novamente objeto de desejo de muitos investidores – desta vez, também por parte de pessoas da classe média e investidores de menor capital. Evidenciar esta realidade é fácil, basta notar que desde a crise de 2008 a cotação do Ouro Spot valorizou-se cerca de 50%, passando de cerca de US$ 600,00 por onça-troy (31 gramas) para US$ 900,00.

Por que comprar ouro?

É consenso de que o ouro não é um investimento qualquer. Não se deve investir em ouro porque está na moda ou porque alguém disse que é interessante. Por se tratar de um tipo de aplicação cuja variação de preço acontece diariamente e em âmbito mundial, é importante conhecer o mercado e suas nuances. A cotação do dólar, por exemplo, pode prejudicar, ainda que temporariamente, os ganhos de investidores brasileiros no ouro. Recomendo que o ouro seja encarado como um investimento para proteção (hedge), especialmente em momentos de turbulência econômica e pensando no longo prazo.

Você sabia que o Brasil tinha volume expressivo de negócios com o ouro até o governo Collor (1990), quando negociou mais de dez toneladas de ouro por dia? Hoje o cenário é outro: segundo dados da BM&F Bovespa, atualmente são negociados cerca de R$ 500 mil em 30 contratos de barras de 250g. Algumas ações podem mudar este quadro e novamente chamar a atenção do investidor  para o ouro.

Aliás, se você quiser comprar ouro diretamente na BM&F Bovespa, precisará de conta em uma corretora de valores e uma boa grana para negociar os lotes-padrão de 250g. Isso significa que você terá que comprar lotes inteiros – um lote (250g), dois lotes (500g) e assim por diante – e não apenas valores menores, como 1g ou 100g.

É possível comprar ouro com pouco dinheiro?

Sim, hoje em dia isso é possível através do chamado mercado de balcão, onde é possível investir em qualquer quantidade de ouro. Há uma rede de corretoras especializadas em negociar o metal e o investidor pode comprar até R$ 10 mil em dinheiro – regra do Banco Central para evitar lavagem de dinheiro. Acima disso, a compra pode ser realizada através de depósito bancário.

As corretoras e distribuidoras de valores criaram diversos produtos a partir dos contratos e barras de 250 gramas, vendendo desde pequenas quantidades (1g a 10g) em cartões até laminados e barras de tamamhos e pesos diferentes, escolhidos pelo investidor. Os produtos, baseados em cotações do dia mais ágio (lucro), são padronizados, certificados e lacrados.

A negociação se dá de forma bastante direta: você escolhe o produto, a quantidade de ouro desejada e faz o pagamento via boleto bancário (limite de R$ 10 mil). O ouro é enviado pelos Correios via SEDEX com AR (Aviso de Recebimento), seguro e entregue em mãos com certificado de garantia e nota fiscal de negociação. Se quiser vender, em geral basta levar o ouro até um balcão de atendimento da corretora escolhida ou enviar o material pelos Correios e ela realizará a avaliação e recompra em até 3 dias úteis.

Quais os riscos relacionados ao ouro?

Os riscos inerentes ao metal têm relação com a relação entre demanda e oferta no mundo e também com o valor da moeda nacional em relação ao dólar. Em relação à compra e venda do ouro, você precisa se preocupar com a segurança em relação ao local onde vai armazená-lo. Ao comprá-lo via BM&F, você pode deixar que ela faça a custódia ou contratar este serviço de um banco sem que o ouro passe fisicamente pelas suas mãos. Em ambos os casos será cobrada taxa de custódia. Se você optar pela compra balcão, terá que guardar o ouro em casa ou levá-lo até um banco e pagar pela custódia.

Se você já é cliente de uma corretora de valores e se interessou pelo metal, entre em contato e pergunte se eles fazem a negociação do ouro em pequenas quantidades. Para conhecer alguns exemplos de distribuidoras especializadas, acesse www.ourominas.com e www.parmetal.com.br. Agora você sabe que ouro também é para todos! Bons negócios e até a próxima.

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Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

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