Comum em países como os Estados Unidos, o crédito com garantia de imóvel é uma operação ainda tímida no Brasil, mesmo com um volume de cerca de 70% dos imóveis brasileiros quitados podendo ser apresentados como garantia por proprietários que buscam crédito. Esse tipo de operação, na prática, funciona como um refinanciamento imobiliário e pode assegurar acesso a crédito com taxas de juros até 80% menores do que outras modalidades.

Porém, a resistência do brasileiro à essa operação se dá por uma barreira cultural. No país, ainda existe a ideia de que a alienação do imóvel como garantia em operações de crédito apresenta alto risco. Por outro lado, é comum que as pessoas comprometam sua renda, e o próprio imóvel, contratando linhas de crédito com altas taxas e prazo mais curto. Ou seja, no fim, estão sujeitas a um risco maior de perder seu patrimônio sem se dar conta disso.

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Experiência Internacional

Mas o mercado norte-americano mostra que esse temor não se sustenta. Nos Estados Unidos, o volume de crédito disponível para pessoas físicas e pequenas e médias empresas é 35 vezes maior do que no Brasil. Apesar disso, o brasileiro está duas vezes mais endividado do que o norte-americano.

Este cenário acontece justamente porque as operações de crédito mais populares no Brasil têm juros muito altos e prazos para quitação da dívida mais curtos. E essas são as maiores diferenças em relação a outras modalidades de crédito, como o empréstimo pessoal sem garantia, ou cheque especial e rotativo do cartão, duas das operações de créditos mais usuais entre os consumidores brasileiros.

Mesmo diante dos altos juros, três em cada 10 brasileiros têm algum tipo de empréstimo contratado em bancos ou outras instituições financeiras. De acordo com levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), do total de consumidores que recorrem ao crédito, 42% o fazem para quitar dívidas: é a principal finalidade do empréstimo pessoal no Brasil.

Embora seja uma saída para regularizar dívidas, a escolha pelo empréstimo requer cuidados. Isso porque a taxa de juros pode ser até 10 vezes maior entre as operações de crédito existentes no mercado para este fim.

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Brasil o país dos juros altos

O rotativo do cartão de crédito, por exemplo, apresentou taxa de juros média de 13,36% por mês, em agosto de 2017. Já a taxa de juros mensal do cheque especial foi de 12,14% e o empréstimo pessoal sem consignação chegou a 7,54%, em média, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC).

No mesmo período, seria possível contratar crédito com garantia de imóvel com uma taxa de juros a partir de 1,15% ao mês, além da correção do IPCA. E mais: com contratação toda feita pela internet graças ao advento das fintechs, startups do mercado financeiro que surgem para solucionar antigos problemas dos bancos.

Além da taxa de juros reduzida, o crédito com garantia de imóvel também é mais competitivo quanto ao prazo para pagamento da dívida, que é de até 180 meses, e quanto ao volume máximo de crédito disponível para o consumidor.

Um levantamento feito por nós da Bcredi, que gerou um comparativo de taxas e prazos entre quatro operações de crédito, constatou que o valor que um proprietário de imóvel pode obter em crédito imobiliário é 11 vezes maior do que seria possível com o rotativo do cartão de crédito, considerando o mesmo prazo e valor de parcela.

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O uso livre do crédito com garantia de imóvel

Outro diferencial importante do crédito com garantia de imóvel é seu uso livre: o crédito pode ser utilizado para quitar dívidas mais caras, para financiar a compra de um bem com valor elevado, uma viagem, ou ainda para construir ou reformar um imóvel – inclusive aquele apresentado como garantia. Profissionais liberais e empreendedores de pequeno e médio porte também podem contratar o crédito para investir em seus negócios, do uso como capital de giro à investimentos em projeto de expansão.

O importante, para quem deseja tomar crédito e manter o orçamento em dia, é estudar qual modelo é mais benéfico para o seu perfil e avaliar nas instituições pré-selecionadas os valores das taxas de juros e condições do empréstimo, além de conferir o Custo Efetivo Total (CET) do crédito, valor que varia de acordo com o histórico de cada cliente.

Seguindo esses passos e escolhendo a melhor opção, o crédito só vem a trazer vantagens para o tomador, que poderá utilizar o dinheiro como quiser e iniciar uma nova empreitada com as contas em dia.

Maria Teresa Fornea
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