Um dos erros mais comuns entre as pessoas que estão querendo mudar hábitos, principalmente os financeiros, é deixar se levar pela empolgação e “querer dar um passo maior que perna”.

Seja porque nem saíram das dívidas e só leem sobre investimentos, ou porque compram compulsivamente mas querem controlar cada centavo gasto no cafezinho, isso acontece de várias maneiras, especialmente entre as pessoas começando no mundo da educação financeira.

Geralmente, esses comportamentos mostram uma inadequação entre a fase em que a pessoa se encontra e o conhecimento e as atividades com que ela está se envolvendo.

Não me leve a mal: conhecimento é sempre bom. Na realidade, acredito que a busca pelo conhecimento é um dos melhores investimentos do seu tempo e uma maneira de ganhar uma vantagem na vida que poucas pessoas têm. Desde que comecei a levar minha educação a sério, passei a devorar livros e a recomendar para outras pessoas o mesmo.

Como disse bem uma das minhas figuras históricas favoritas, John Graham, um milionário pouco conhecido que saiu do zero por conta própria:

“Você descobrirá que educação é praticamente a única coisa por aí solta no mundo, e que é praticamente a única coisa que um homem pode ter tanto quanto ele esteja disposto a pegar. Todo o resto está parafusado e a chave-de-fenda, perdida.”

Contudo, o conhecimento só terá máxima utilidade se for colocado em prática. Ele só vai fazer você mudar de vida se lhe ajudar a agir de modo diferente.

As 3 fases do controle financeiro

Pensando nesse impacto no mundo da educação financeira, identifiquei três fases distintas em que você pode se encontrar. Elas representam uma evolução, por assim dizer; conforme o tempo passa e você desenvolve bons hábitos, você sobe de nível.

O ponto aqui é que você vai poder escolher exatamente o tipo de leitura e conteúdo que vai ser melhor para você se souber em que fase está.

1ª fase: Saindo do vermelho

A primeira fase do controle financeiro é caracterizada pela transição de uma vida bagunçada para uma vida organizada. É o primeiro passo no mundo das finanças, então os principais objetivos costumam consistir em lidar com dívidas pendentes: negociar faturas, analisar taxas de juros e multas e atividades afins.

Pode parecer simples comparado ao que você vê os mais “avançados” fazendo (estudando ações, bolsa de valores, Tesouro Direto e etc.), mas é igualmente importante: na fase um, você monta a base. Sobre essa base será construído seu futuro financeiro (e ele será bem longo, acredite!).

Aqui, não adianta fazer coisas que parecem boa ideia, como fazer controle financeiro total (saber para onde foi cada centavo) ou acompanhar a política econômica do governo. Nada disso vai ajudar a resolver o problema na sua frente: sair do vermelho.

Nesta fase, é importante focar no aprendizado de técnicas de negociação, ficar de olho em oportunidades de empréstimo (sim, eles podem ser uma boa, caso a taxa de juro seja mais baixa que a taxa de sua dívida) e buscar desenvolver alguma organização sobre a gerência de seu dinheiro.

2ª fase: Analisando as finanças

Pronto, você não está mais correndo contra o tempo e os juros. Já segurou as pontas, não tem mais grandes dívidas, mas também não há poupança nem dinheiro investido.

Um controle financeiro mais rígido, como aquele proposto pelo rastreamento das despesas, deve ser implantado. Afinal de contas, é nesse momento que você começa a conhecer mais sobre seus gastos e analisar suas finanças: onde e como gasta, o quanto vai para gasolina, o quanto para restaurantes, daí em diante.

Com esse conhecimento de análise, é possível tomar melhores decisões sobre, por exemplo, o que pode ser cortado, o que precisa ser mantido, em que se está gastando mais do que razoável e assim por diante.

Uma das melhores coisas que você pode fazer é criar uma conta em um gerenciador financeiro e rastrear o que você gasta/ganha. Já experimentei dezenas desses serviços e aplicativos, mas ainda continuo recomendando o Dinheirama Online para ajudar a desenvolver o hábito de adicionar cada transação que você criar.

No começo, vai ser difícil manter a disciplina de registrar os gastos, mas é preciso que insista. Não dá para estressar a importância de saber exatamente para onde seu dinheiro está indo; só assim você pode realmente se planejar.

Se a primeira fase pode ser resumida em autocontrole (para não fazer bobagem), essa segunda pode ser sumarizada em disciplina (para se manter nesse bom caminho).

3ª fase: Planejando investimentos

Apenas nesse momento que você vai poder sentir de perto o poder positivo dos juros compostos, quando eles estiverem trabalhando para você. Aqui, sim, faz sentido começar a se informar sobre o mercado de investimentos, quais são suas opções, o que se encaixa com seus objetivos futuros e tudo mais.

Na fase 3 é possível sair da “defensiva” e partir para o ataque: planejar metas e modos de alcançá-las em vez de guardar dinheiro de vez em quando ou de poupar apenas para as emergências (a propósito, uma poupança dessas é essencial, não a negligencie).

Se quiser ir mais longe e já pensar em planos de aposentadoria, fique à vontade. Contanto que mantenha os hábitos positivos que criou nas fases 1 e 2, o céu é o limite.

Analise, adeque-se e enriqueça

Só é possível agir de modo eficiente para mudar sua situação sabendo realmente onde você está. Todo conhecimento é valioso, mas aquele que lhe ajuda com o problema de hoje, agora, é inestimável e muito mais fácil de reter (já que está sendo aplicado).

Não importa se você é novo no mundo da educação financeira ou mais experiente, em que fase você está? O que você pode aprender hoje que vai lhe beneficiar ao máximo? Obrigado e até a próxima.

Foto “Business growth”, Shutterstock.

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