Nunca foi tão grande o interesse das pessoas por investimentos seguros e com bons rendimentos.

Esta preocupação se justifica pelos altos índices de inflação que estamos vivenciando. Este cenário faz com que investimentos tradicionais (como a poupança) tragam rentabilidade real (descontada a inflação) negativa.

O Tesouro Direto reúne estas características de segurança e boa rentabilidade. É um assunto bastante abordado aqui no Dinheirama, e com interesse geral da população atingindo seus maiores índices desde a sua criação, segundo o Google Trends.

As pesquisas sobre este assunto tem crescido bastante nos últimos meses:

10 maneiras de perder dinheiro no Tesouro Direto

(Fonte: Google Trends)

Acontece que o Tesouro Direto não é apenas UM investimento. Aliás, ele não é nem um investimento em si: ele é um programa que permite a compra de diversos títulos com características diferentes.

Com o objetivo de esclarecer ainda mais o tema, listo para você os dez principais erros que devem ser evitados:

Erro 1: Não saber o que está fazendo

Esta não é uma “exclusividade” do Tesouro Direto. Se você investir o seu dinheiro em qualquer modalidade de investimento que você não conheça o funcionamento, seu risco de perder dinheiro aumenta e muito.

Seja em ações, fundos de investimento, Tesouro Direto…. Tanto faz. Não deixe que as “dicas” de outras pessoas sejam o único fator que leve você a investir.

Você sempre “ouvirá” alguém falando para você sair do investimento X e mudar para o Y. Isso pode te levar a vender o ativo quando seu preço estiver baixo e comprar o outro que esteja caro.

É  responsabilidade do investidor se manter informado, de maneira a conhecer todas as variáveis envolvidas (como juros e inflação), possibilidades de mudanças nas regras, alíquotas de impostos, etc. Seu dinheiro deve ficar aplicado, e não abandonado.

Ebook gratuito recomendadoInvista sem medo em títulos públicos

Erro 2: Comprar Título e vender antes do 30º dia

Este erro pode te levar a perder dinheiro até no Tesouro SELIC, cujo valor fica maior a cada dia que passa.

Até o trigésimo dia da compra, seus rendimentos estão sujeitos ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que, associado com as demais taxas do Tesouro Direto, pode te levar a perder dinheiro.

Erro 3: Vender Título atual para comprar outro com juro maior

Este é um “desejo” clássico do iniciante no Tesouro Direto: vender seu título que paga “x” de juros, para comprar um que pague “1,5x”. Com este procedimento, você irá consolidar a perda pela chamada “marcação a mercado”.

Se existe um título pagando “1,5x” de juros, significa que seu título que foi contratado pela taxa “x” está com valor menor (eventualmente menor até mesmo que o valor que você pagou). Resultado: prejuízos.

Então não faz sentido vender o título atual por um valor menor (com eventual prejuízo) para comprar outro com taxa maior e mais caro.

Aliás, o cenário para venda antecipada com possíveis vantagens para o investidor é justamente o contrário. Quando você possui o título com juros de “1,5x” e o governo lança títulos pagando “1x”. Mesmo assim, cuidado para não cair no Erro 9.

Erro 4: Falta do Colchão Financeiro

Se você não possui reservas de emergência, com a liquidez necessária, poderá precisar vender os títulos de prazo maior e aceitar os eventuais prejuízos da marcação a mercado.

O raciocínio é o mesmo caso seu único bem seja um imóvel. Se precisar de dinheiro imediato, o risco de não conseguir vendê-lo pelo valor desejado é alto.

Por este motivo é que o “colchão financeiro” é o primeiro objetivo que você deve conquistar, lembrando que você pode montar seu “colchão” com títulos Tesouro Selic.

Leitura recomendada10 passos para investir no Tesouro Direto (na prática)

Erro 5: Especular no TD

Especular no Tesouro Direto não é uma tarefa simples. Consiste em comprar títulos que tenham juros totais ou parciais prefixados, na expectativa de vendê-los em cenários de baixa de juros.

Envolve vários riscos, como: risco de oportunidade, de errar a avaliação de cenário da economia e o risco de precisar de dinheiro antes do prazo.

Considerando que os títulos usados para especulação são os de maior prazo (eles são mais sensíveis à volatilidade de mercado), o risco é ainda maior.

Antes de especular no TD, considere se isto não irá prejudicar o seu patrimônio e seus objetivos financeiros. Assegure-se também de ter plena ciência do que está fazendo e de seus riscos.

Erro 6: Riscos do Prefixado

Os títulos prefixados são aqueles que garantem uma taxa fixa de juros, definida na sua compra. Acontece que muita gente deixa se levar apenas pelo valor dos altos juros que este título pode oferecer.

Por exemplo, você acha 13% de juros ao ano um bom valor? A resposta mais interessante que me vem à mente é a seguinte: “Em que país”? Porque isto num país com inflação baixa, são juros enormes, alcançáveis somente com investimentos de maior risco.

Mas em países como o Brasil, com inflação que beira os 10% ao ano, o cenário é outro. Caso o cenário econômico piore e a inflação continue crescendo, você perderá poder de compra com seus títulos prefixados, principalmente se você precisar vender antecipadamente o título.

Então, ao investir neste título, é importante estar ciente de suas características, do cenário econômico e dos riscos.

Erro 7: Prazos incompatíveis com seus objetivos Financeiros

A data de vencimento dos seus títulos deve ser compatível com seus Objetivos Financeiros. Caso contrário, você poderá precisar vender os títulos antecipadamente e ter prejuízos na venda, pela marcação a mercado.

Então, é fundamental que você não compre títulos de prazo longo com o dinheiro que você pode precisar em um futuro breve.

Webcurso gratuito recomendado: Tudo o que você precisa saber sobre Tesouro Direto

Erro 8: Ignorar custos e Taxas

Se você não fizer um bom planejamento dos custos e taxas envolvidas no Tesouro Direto, você pode ter seus rendimentos sensivelmente reduzidos.

Se você investe no Tesouro Direto com pequenos aportes regulares, os eventuais custos de DOC, por exemplo, podem minar os seus lucros.

Investir no Tesouro Direto pelos grandes bancos de varejo também pode não ser uma escolha interessante. Alguns deles cobram taxas de administração 5 vezes maiores que aquelas praticadas por algumas corretoras.

Erro 9: Pensamento de curto prazo

Mesmo em condições favoráveis à venda antecipada do seu título, com rentabilidade superior à contratada por você, é preciso pensar muito se realmente vale a pena vender o seu título.

Você sabe exatamente onde vai usar o dinheiro da rentabilidade adicional? E se você comprou um título visando um objetivo financeiro (condição ideal), vale a pena abdicar deste sonho para que você embolse um dinheiro a mais, no curto prazo?

Lembre-se do risco de oportunidade. Talvez você não encontre mais um título para comprar nas condições que você tinha antes da venda.

Erro 10: Uso errado dos títulos com cupons

Se você está na fase de acumulação de patrimônio, é importante que você adicione cada vez mais recursos no montante de dinheiro sobre o qual incidirão os juros compostos.

A lógica dos cupons é a inversa. Você recebe parte da rentabilidade do seu investimento, semestralmente, na forma de cupons.

Considere também que a alíquota média de imposto de renda deste tipo de investimento é maior por causa dos maiores valores que incidem sobre os primeiros cupons.

Então, salvo se você já tenha passado da fase de acumulação de patrimônio, ou tenha um destino bem nobre para seus cupons, este tipo de título não deveria ser comprado por você.

Vídeo recomendadoTesouro Direto: dúvidas práticas e respostas objetivas

Conclusão

Espero que as informações tenha sido úteis para você. Se algo não ficou claro, por favor, utilize o campo de comentários abaixo para questionamentos. Um grande abraço e até a próxima!

William Ribeiro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários