Um novo tema que tem sido bastante abordado pelos investidores é a relação da crise na Grécia e o nosso bolso. Alguns investidores falam do calote na Grécia como um exemplo de algo que poderia ocorrer no Brasil, afetando quem possui títulos do Tesouro Direto, por exemplo.

Em primeiro lugar, vale lembrar que os objetivos dos títulos do programa do Tesouro Nacional são financiar a dívida pública do Brasil e atividades do Governo Federal, como saúde, educação e infraestrutura. Recomendo a leitura deste eBook gratuito sobre títulos públicos (clique para download) para entender isso melhor.

É óbvia a questão da diferenciação de momento da economia da Grécia para o Brasil, assim como seus governos, suas economias, seus dramas atuais e etc. Também vale ressaltar que na Grécia, que representa menos de 2% do PIB da Zona do Euro, a renegociação dos títulos tem sido com seus credores internacionais.

Já no Brasil, é notável a necessidade de ajustes que estão levando a economia à recessão, mas ainda estamos muito longe dessa fase pela qual atravessa a República Helênica.

Seguindo nesse movimento de preocupações, cabe a nós passar aqui a questão relativa aos riscos inerentes aos títulos do Tesouro, que basicamente são quatro: risco de crédito, de mercado, de fraude e de oscilação do preço dos ativos para quem visa especular com esses ativos.

O primeiro, o risco de crédito, seria o mais improvável, visto que mesmo diante do momento da economia brasileira, o estoque da dívida pública do país somava em maio quase R$ 2,5 trilhões, enquanto o montante aplicado por investidores pessoa física no programa do Tesouro é de R$ 17,2 bilhões, o que representa “apenas” 0,7% do total devido atual.

No risco de mercado, temos que levar em consideração a situação econômica do país e inclusive uma possível perda de grau de investimento, que certamente impactaria nas taxas dos títulos do Tesouro, mas ainda assim não a ponto de esta dívida não ser paga pelo Tesouro Nacional.

Além desta situação, o risco de mercado pode ser embutido dentro da lei de demanda e oferta sobre os títulos, que podem impactar diretamente nos preços dos ativos.

Já as fraudes são raras e acabam ocorrendo por má-fé e ação proposital de instituições financeiras, portanto cabe ao investidor estar sempre atento a esta questão, podendo inclusive checar sua posição, diariamente se necessário, no próprio site do Tesouro Nacional. É importante ressaltar que os títulos sempre devem estar custodiados sob o nome e CPF do investidor, e é possível checar isso facilmente.

Para finalizar esta questão dos riscos inerentes a estes ativos, temos o risco de oscilações nos preços dos títulos, que em parte pode ser considerado também como risco de mercado, pois as variações possuem uma correlação contrária às expectativas relacionadas às taxas de juros futuros.

Neste caso, usando um exemplo atual, as taxas de juros para os anos seguintes estão com uma perspectiva de caírem para abaixo da taxa atual, portanto os preços dos ativos apresentam elevação.

Por esta razão, recomendamos ao investidor que adquire títulos pré-fixados ou pós fixados, como o Tesouro IPCA, que leve seus títulos até o vencimento, pois há risco de perda do capital investido em caso de venda antecipada.

Enfim, o objetivo deste texto é reforçar que o investimento em títulos públicos é considerado de baixo risco, seguro e para investidores conservadores, mas isto não implica na ausência completa de riscos.

Recentemente, o especialista e autor de finanças pessoais André Massaro atualizou seu eBook gratuito sobre investimentos no Tesouro Direto – sugiro que você clique aqui para fazer o download, aprender e começar a investir. Aproveite!

É de extrema importância que o investidor conheça as características de cada título, assim como busque uma diversificação em sua carteira de investimentos, o que também minimiza os riscos. Bons investimentos e até a próxima!

Nota: Esta coluna é mantida pela Rico.com.vc, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Investment”, Shutterstock.

Roberto Indech
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