Everton comenta: “Navarro, alguns amigos meus me disseram para tirar o dinheiro que tenho aplicado na poupança e colocar no Tesouro Direto, que é parecido com a poupança, mas que rende mais, mas ele falou que tenho que abrir uma conta numa corretora de valores, e não tem nenhuma na minha cidade. Além disso, tenho receio, pois não sei se essas corretoras são confiáveis. Elas nem são conhecidas pelas pessoas, e isso me deixa cheio de dúvidas. Obrigado“.

Ainda há muitas dúvidas, para não dizer mitos, em torno dos títulos públicos oferecidos através do Tesouro Direto. Selecionei para este texto as cinco dúvidas mais frequentes sobre os investimentos nos títulos do Tesouro Nacional para ajudar você que ainda mantém o seu dinheiro guardado na poupança (e que está perdendo dinheiro devido à inflação atual).

1. Como comprar títulos do Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa de venda de títulos desenvolvido pelo Tesouro Nacional para tornar os títulos públicos acessíveis à pessoa física. Para você comprar um título público, você terá que abrir uma conta em um Agente de Custódia, que são as instituições financeiras cadastradas no programa Tesouro Direto. Este diagrama mostra isso:

Abrir uma conta em um Agente de Custódia é algo muito simples, e normalmente o processo é feito todo pela internet – você enviará as cópias dos documentos exigidos pelo próprio site deles. Com isso, você não precisa se preocupar se o Agente de Custódia tem ou não um escritório físico na cidade onde reside. É bem mais fácil (e rápido) que abrir uma conta bancária.

Uma vez que a conta está aberta no Agente de Custódia, você irá informar para ele uma conta bancária em seu nome para que você possa transferir (e receber no caso de resgates) o valor que pretende investir.

Leitura recomendada: Como abrir conta em uma corretora de valores?

O valor mínimo de investimento é a fração de 0,1 do preço dos títulos. Por exemplo, o título chamado Tesouro Selic 2021, no momento em que escrevo, tem como valor mínimo de aplicação R$ 72,46. Portanto, basta você comprar múltiplos deste valor até a quantidade desejada.

2. Posso comprar títulos do Tesouro Direto pelo banco onde sou correntista?

Se o banco for também um Agente de Custódia, ou tiver algum associado ao conglomerado financeiro ao qual pertence, então pode, mas recomendo que você procure um Agente de Custódia especializado em títulos públicos, principalmente devido às taxas de administração cobradas.

Clicando aqui você terá uma relação atualizada dos Agentes de Custódia, bem como das taxas cobradas por cada um deles.

3. Quais tipos de títulos que existem?

Os títulos do Tesouro Nacional são divididos em quatro categorias:

  • Tesouro Selic;
  • Tesouro Prefixado;
  • Tesouro IPCA+;
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.

Cada um deles possui ainda algumas variações em relação ao prazo de vencimento e aos juros pagos, sendo que para diferenciá-los coloca-se o ano do vencimento na frente dos nomes. Para entender em mais detalhes a diferença de cada um deles, clique aqui e baixe um e-book gratuito sobre o assunto.

4. E se o Agente de Custódia onde cadastrei a minha conta quebrar? Perco tudo?

De modo algum. Os títulos públicos adquiridos no Tesouro Direto ficam registrados no nome do investidor, sendo que o Agente de Custódia é apenas o responsável pela intermediação. Assim, se ele “quebrar”, os títulos públicos continuam registrados no seu nome.

Para dar sequência aos investimentos e/ou resgates, basta contratar outro Agente de Custódia, que seguirá administrando a intermediação dos seus títulos junto ao Tesouro Direto. Essa é uma das maiores preocupações de quem investe em títulos públicos pela primeira vez, mas agora você já sabe que é seguro.

Leitura recomendada: Tesouro Direto é seguro? E se a corretora quebrar? Existe garantia?

5. Tenho que pagar impostos sobre os lucros com títulos públicos?

Sim. Os impostos são devidos e incidem apenas sobre os rendimentos (lucros) obtidos com as aplicações. As taxas tributárias diminuem na medida em que você mantém as aplicações, sem fazer resgates, conforme explicação abaixo:

  • Resgate em até 180 dias (6 meses), paga 22,5%;
  • Resgate entre 181 e 360 dias (6 a 12 meses), paga 20%;
  • Resgate entre 361 e 720 dias (1 a 2 anos), paga 17,5%;
  • Resgate depois de 721 dias (2 anos), paga 15%.

O imposto é descontado no momento do resgate, não sendo necessário nenhum procedimento manual para o seu recolhimento. Ou seja, você não deve se preocupar com o pagamento do imposto, pois isso é feito de forma automática pelo Agente de Custódia no resgate.

Para fins de registro na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, os títulos públicos devem ser incluídos no item bens e diretos pelo valor de aquisição (código 45). Quando ocorrer venda, pagamento de juros ou vencimento de títulos, o rendimento líquido deve ser registrado no item: Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, uma vez que os rendimentos dos títulos públicos são tributados na fonte.

Conclusão

Eu sempre digo que não existe isso de “é difícil”; existem coisas que a gente ainda não conhece, mas pode aprender. Agora você já sabe que investir em títulos públicos do programa Tesouro Direto é simples e fácil.

Ah, antes de encerrar, vou responder uma outra pergunta muito recorrente de nossos leitores: “Navarro, qual é a corretora que você utiliza em seus investimentos?” Eu utilizo a Rico CTVM, nossa parceira de longa data e que tem conteúdo educacional fantástico para o pequeno investidor. Experimente!

Foto “make profit”, Shutterstock

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários