Nos últimos meses um investimento tem merecido destaque no cenário nacional: o Tesouro Direto. Aqui no Dinheirama ficamos particularmente felizes com o número de brasileiros buscando maiores detalhes desse tipo de investimento, principalmente porque escrevemos sobre isso desde 2007 (clique aqui e leia nosso primeiro post sobre o tema) e acompanhamos com carinho o crescimento do interesse dos investimentos.

A verdade é que, ao contrário do que muita gente tenta fazer parecer (inclusive cobrando caro e vendendo cursos), investir no Tesouro Direto é algo extremamente simples, que está ao alcance de todos sem que seja necessário gastar um único Real em treinamentos.

Aprenda tudo sobre Tesouro Direto sem pagar nada

 Os números da captação do Tesouro Direto estão batendo recordes sucessivos; o último número divulgado ainda em agosto deste ano (2015) mostra que os números de operações com títulos públicos cresceram 245,8% em relação ao mesmo mês de 2014.

Se os números surpreendem cada vez mais positivamente, é verdade que muita gente ainda não conhece o que é o Tesouro Direto, tem ainda algum receio de investir ou mesmo acredita que é investir é algo complicado demais. Este texto foi feito especialmente para quem ainda possuiu alguma dúvida sobre o tema.

Afinal, o que é Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BMF&F Bovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet. O colega André Massaro explica melhor (e em detalhes) em um eBook gratuito muito mais sobre Tesouro Direto (clique aqui).

O que são títulos públicos?

Os títulos públicos são ativos de renda fixa, ou seja, seu rendimento pode ser dimensionado no momento do investimento, ao contrário dos ativos de renda variável (como ações), cujo retorno não pode ser estimado no instante da aplicação.

Dada a menor volatilidade dos ativos de renda fixa frente aos ativos de renda variável, este tipo de investimento é considerado mais conservador, ou seja, de menor risco.

Quais Títulos posso escolher?

A poucos meses o Tesouro promoveu modificações no nome dos títulos, o resultado foi extremamente positivo, os investidores passaram a entender a finalidade de cada título e como eles poderiam ser escolhidos dentro de uma estratégia de investimentos. Conheça os títulos:

Tesouro Selic (antiga LFT)

Indicado para quem acredita que a tendência da taxa Selic é de elevação, já que a rentabilidade desse título é indexada à taxa básica de juros da economia.

O valor de mercado desse título apresenta baixa volatilidade, evitando perdas no caso de venda antecipada. Por essa razão, é considerado um título indicado para um perfil mais conservador. É indicado também para o investidor que não sabe exatamente quando precisará resgatar seu investimento.

O fluxo de pagamento desse título é simples, isto é, não existe o pagamento de juros semestrais. Sendo assim, ele é mais interessante para quem pode esperar para receber o seu dinheiro até o final do período da aplicação (ou seja, quem não necessita complementar sua renda desde já).

Com liquidez diária garantida pelo Tesouro Nacional, este é um título bem interessante para ser usado na composição da reserva de emergência e na realização de objetivos de curto prazo.

Tesouro Pré-fixado (antiga LTN)

Possui fluxo de pagamento simples, isto é, o investidor receberá o valor investido acrescido da rentabilidade na data de vencimento ou resgate do título. Em outras palavras, o pagamento ocorre de uma só vez, no final da aplicação.

Sendo assim, é mais interessante para quem pode esperar receber o seu dinheiro até o final do período do investimento, ou seja, é indicado para quem não necessita complementar sua renda desde já.

Mantendo o título até o vencimento, o investidor receberá R$ 1.000,00 para cada unidade do papel (ao comprar uma fração de título, o recebimento será proporcional ao percentual adquirido). A diferença entre esse valor recebido no final da aplicação e o valor pago no momento da compra representa a rentabilidade do título.

Caso o investidor necessite vender o título antecipadamente, o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado, de modo que a rentabilidade poderá ser maior ou menor do que a contratada na data da compra, dependendo do preço do título no momento da venda.

Por essa razão, é interessante para o investidor conciliar a data de vencimento do título com o prazo desejado para o investimento, ou seja, trata-se de um título que deve ser comprado e mantido até o vencimento.

Tesouro IPCA com juros semestrais (antiga NTN-B)

Ele proporciona rentabilidade real, ou seja, garante o aumento do poder de compra do dinheiro, pois seu rendimento é composto por duas parcelas: uma taxa de juros prefixada e a variação da inflação (IPCA).

Desse modo, independente da variação da inflação, a rentabilidade total do título sempre será superior a ela. A rentabilidade real é dada pela taxa de juros prefixada, contratada no momento da compra do título.

É mais interessante para quem deseja utilizar o rendimento para complementar sua renda a partir do momento da aplicação, pois faz pagamento de juros a cada semestre, diferentemente do Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal).

Isso significa que o rendimento é recebido pelo investidor ao longo do período da aplicação, em vez de receber tudo no final. Os pagamentos semestrais, nesse caso, representam uma antecipação da rentabilidade contratada.

Cabe destacar que no pagamento desses recebimentos semestrais há incidência de imposto de renda (IR), obedecendo a tabela regressiva. Desse modo, para quem planeja reinvestir os valores recebidos a cada seis meses, é mais interessante investir em um papel que não paga juros semestrais.

Esse tipo de título, no qual o imposto de renda é recolhido apenas no final da aplicação, garante que a taxa de rentabilidade incida sobre um montante superior, ou seja, sobre uma maior base, já que não sofreu reduções em função da incidência do IR nos eventos de pagamento de juros semestrais. Isso beneficia a rentabilidade final da aplicação.

Na data de vencimento do título, é resgatado o valor investido atualizado pela inflação acrescido do último pagamento de juros semestrais.

Caso necessite vender o título antecipadamente, o Tesouro Nacional pagará o seu valor de mercado, de modo que a rentabilidade poderá ser maior ou menor do que a contratada na data da compra, dependendo do preço do título no momento da venda. Por essa razão, é recomendado procurar conciliar a data de vencimento do título com o prazo desejado para o investimento.

Tesouro IPCA (antiga NTN-B Principal)

É um título com a rentabilidade vinculada à variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acrescida de juros definidos no momento da compra. Não há pagamento de cupom de juros semestral e o resgate do valor nominal atualizado ocorre na data de vencimento do título.

Tesouro Pré-fixado com juros semestrais (antiga NTN-F)

É um título com a rentabilidade definida, acrescida de juros definidos no momento da compra. O pagamento dos juros é semestral e o resgate do principal ocorre na data de vencimento do título. Ideal para investidores que desejam aplicações de curto e médio prazo.

Qual a melhor estratégia para cada título?

Um dos principais pontos positivos do Tesouro Direto é a possibilidade de diversificar o investimento em títulos que atendam a perspectivas e planejamento diferentes, é possível encontrar proteção contra inflação, para quem busca boas oportunidades para aposentadoria, etc.

Para facilitar o entendimento, preparamos uma tabela com os títulos, como sua rentabilidade é calculada e a melhor indicação de acordo com o prazo. Acompanhe:

 

Como faço para investir no Tesouro Direto?

Para investir no Tesouro Direto você só precisa estar cadastrado como investidor em um Agente de Custódia, que pode ser o banco em que você tem conta ou uma corretora de valores.

Com quanto começo a investir no Tesouro Direto?

A partir de R$ 30,00 é possível iniciar um investimento que pode ser de curto a longo prazo dependendo do vencimento do título e do objetivo de cada pessoa.

Quanto pago de taxa de administração?

Ninguém trabalha de graça, e naturalmente para oferecer uma estrutura que atenda aos investidores e que possa apresentar uma experiência de aprendizado condizente com a necessidade dos clientes é preciso cobrar alguma coisa. Por isso, os agentes de custódia cobram como taxa de administração percentuais a partir de 0,10%.

Imposto de Renda

O imposto de renda (IR) incide apenas sobre o total de rendimento das aplicações do Tesouro Direto. A alíquota do imposto de renda é regressiva e varia de acordo com a duração de investimento:

 

Conclusão

Os últimos meses tem se mostrado extremamente delicados para nosso país. Estamos acompanhando com atenção os desdobramentos da crise econômica e seus efeitos na economia real. Inflação alta, dólar disparando e juros elevados fazem parte dessa nova realidade feita de enormes desafios.

Se você busca ainda mais informações sobre o tema acesse outros artigos, que estão a sua disposição gratuitamente no Dinheirama:

Ao mesmo tempo, a renda fixa tem se mostrado ótima válvula de escape, capaz de oferecer aos investidores oportunidade de ganho real e proteção contra a inflação. Quem aproveita o atual cenário de juros a seu favor, investindo, pode em alguns anos dobrar seu patrimônio.

O Tesouro direto é, sem dúvida, uma excelente opção para quem quer investir; é simples (qualquer um pode investir sem precisar pagar para aprender), com liquidez diária (o tesouro recompra diariamente os títulos) e segura.

Olhe para fora da caixa e comece hoje mesmo a trilhar o caminho de quem busca de fato as boas opções de investimento que a crise tem propiciado. O Tesouro Direto é uma delas! Até a próxima!

Foto “Woman investing”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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