Nos apropriamos do título do romance de Marcelo Rubens Paiva de 1982 para invocar o ano de 2018. Se o ano de 2017 já foi de extrema complicação e com enorme volatilidade dos mercados de risco, 2018 se apresenta ainda mais indefinido, apesar de estar em patamar mais confortável.

O ano vai terminando e os mercados vão parando, mas foram colhidos bons resultados, se bem que de um patamar muito baixo e horroroso de nossa economia. Dois anos de recessão profunda e economia desequilibrada tornaram relativamente fácil a recuperação apresentada nos últimos seis meses, depois de o governo conseguir aprovar o teto de gastos, a reforma trabalhista e outros ajustes de menor expressão.

Mas vamos terminar o ano de 2017 sem conseguir aprovar uma reforma da Previdência emagrecida, mas que seria forte indicativo da mudança e preparação da economia para os anos que virão.

Mercado acionário: valorização no ano

No mercado acionário, faltando ainda poucos dias para término do ano, a B3 (nova designação da Bovespa) mostra valorização superior a 20% e ingresso de recursos de investidores estrangeiros da ordem de R$ 10,6 bilhões.

Bem verdade que esses números arrefeceram um pouco das máximas, já que estamos transitando na faixa de 73000 pontos do índice, quando já tínhamos superado 78000 pontos (recorde), e no ano os estrangeiros chegaram a aplicar liquidamente mais de R$ 15 bilhões. Também foi ano de retomada de IPOs, o que é bom augúrio.

De qualquer forma, tivemos recuperação da atividade produtiva, vendas no varejo e redução da taxa de desemprego. A maior conquista ficou por conta da inflação abaixo de 3,0% no ano e forte redução da taxa de juros básica até o patamar de 7,0% para a Selic.

Porém, outros indicadores deixam todos muito preocupados. O governo estima repetir o déficit fiscal de 2017 em R$ 159 bilhões para 2018, com enorme dificuldade de ser atingido, podendo ferir a regra de ouro. A dívida bruta segue em escala ascendente e promete se aproximar de 80% do PIB, o que é demasiado para um país emergente e ainda desequilibrado em seus fundamentos.

Reforma da Previdência, ponto crucial

É por isso que a reforma da Previdência é crucial, apesar de não mudar muito esse cenário no curto e médio prazo.

Precisamos que a reforma seja aprovada como anunciada na votação de 19 de fevereiro de 2018 e sem grandes negociações com a transição dos servidores. Ocorre que o ano é terrível por conter eleições majoritárias. Isso significa dizer que se os parlamentares não forem mobilizados logo no início do próximo ano, a tendência será deixar mesmo para o próximo presidente.

Se conseguirmos aprovar isso teremos espaço para iniciar outras como a tributária, destinada a gerar mais produtividade e competitividade para nossas empresas, que nessa altura já estarão bem menos alavancadas e com capacidade ociosa para ser absorvida, antes que novos investimentos sejam requeridos.

A hipótese de não conseguirmos aprovar a reforma levará a roda a girar novamente no sentido negativo.

Teremos então a volta da inflação e juros em elevação, rebaixamento na classificação de risco do país pelas principais agências internacionais, queda no volume de investimento direto, formação bruta de capital andando para trás, dívida pública crescendo mais rapidamente em relação ao PIB e crescimento do desemprego rondando.

O fardo do novo (próximo) presidente

Se essa for a nossa realidade, o fardo para o próximo presidente será enorme e necessitará de forte união dos três poderes em resgatar o país, coisa que não acontece agora. Basta ver a decisão tomada pelo STF de manter o aumento dos servidores e o não aumento da alíquota de contribuição de 11% para 14%.

Nos mercados, estaremos naquela encruzilhada entre manter e reforçar o bom momento de 2017, ou cair novamente no limbo de mais um ano de 2018 perdido, com o mercado financeiro internacional bem menos acessível.

Precisamos sim afastar o título de “Feliz Ano Velho” e pensar que teremos um Feliz Ano Novo! Em nosso site você encontra indicações importantes e análises que ajudarão a destrinchar o momento complicado.

Aristóteles Onassis dizia que “O homem só fracassa quando desiste de tentar. Todos os dias me levanto para vencer”.

Alvaro Bandeira
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