Ninguém tem dúvida que a inflação está controlada em quase todo o mundo, mesmo que seja preciso separar alguns emergentes, como Venezuela, Turquia ou mesmo os nossos vizinhos da Argentina.

Hoje, nas economias responsáveis a situação é oposta de inflação trabalhando abaixo das metas. Vale para os EUA, Japão, zona do euro e até para a China.

Diante de inflação baixa nas economias mais importantes e taxa de desemprego cadente e sem pressionar estrutura de salários nos diferentes países, dirigentes de bancos centrais, empresários e investidores voltam preocupações para novos processos de flexibilização monetária e reduções de taxas de juros reduzidas.

Fica ainda mais verdadeiro diante do quadro indicativo de desaceleração da economia global, fartamente ilustrada por reduções de projeções de organismos como FMI, OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Econômico) e Banco Mundial.

Não é por outra razão que dirigentes regionais do FED mais recentemente têm suavizado seus discursos. Os investidores e instituições financeiras que estimavam altas de juros em 2019 e 2020 (no total de quatro), foram progressivamente migrando suas projeções.

Hoje a expectativa média gira ao redor de duas ou três mudanças, só que na direção da queda. Fazendo coro, o presidente Trump tem declarado, e agora mais uma vez, que a taxa de juros nos EUA está muito alta, principalmente se adicionada do aperto quantitativo, segundo ele “ridículo”.

Temos os EUA sinalizando que pode flexibilizar e reduzir juros uma ou duas vezes nesse ano, o BCE (BC Europeu) dizendo que estuda e que fará o necessário para manter a economia e o BoJ (BC Japonês) dizendo dispor ainda de muitas medidas para estimular.

A China agora volta a estimular e autorizar emissões de bônus para governos regionais gastarem em infraestrutura.

Bom, então o que está faltando? Na verdade, no cenário externo faltam os próximos passos das negociações comerciais entre EUA e China. Os juros viraram variável dependente disso.

Se conseguirem chegar num bom acordo, haverá espaço para redução quase imediata nos EUA e na zona do euro, o que atrairia outros bancos centrais. Na semana de 3 a 7 de junho, Austrália e Índia fizeram o movimento reduzindo juros em 0,25%.

Ressaltamos que a queda dos juros nesse momento daria fôlego para os países e empresas endividadas se adequarem, retirando parte do risco de uma nova crise. Citamos, por exemplo, o caso da Itália e até do Brasil, que nesse caso é representada pela dívida pública interna.

E já que lembramos do Brasil, os juros também viraram variável dependente, só que da reforma da Previdência. O ambiente macroeconômico está indicando que reduções da Selic seriam francamente recomendáveis.

Inflação baixa e controlada e economia perdendo tração, além da elevada taxa de desemprego que tanto preocupa. Mas o Bacen está de mãos atadas esperando o que acontecerá com a reforma da Previdência no Congresso Nacional.

Certamente uma boa reforma, a mais próxima possível de economia fiscal de R$ 1,0 trilhão em dez anos e com alguma rapidez, facilitaria ações do Bacen na redução da taxa Selic. Que poderia sair do patamar atual de 6,50% para algo como 5,75%, ou até menos.

Uma reforma ruim sinalizaria que o governo perdeu capital político para outras reformas até mais urgentes e importantes para a economia no curto e médio prazo, dificultando a queda dos juros, mesmo com a possibilidade de a economia desacelerar ainda mais.

Sem contar os ruídos e curtos-circuitos que estão e ainda continuarão dentro e fora do governo de Jair Bolsonaro.

Na hipótese otimista de reforma, o mercado de capitais daria resposta de vitalidade, e com investidores potencial de acelerar aplicações em mercados de risco. A hipótese mais para pessimista (já que alguma reforma sairá) tiraria o Brasil do radar dos investidores e os mercados poderiam sofrer.

Portanto cabe ficar de olho em tais acontecimentos para definir se a postura será mais ou menos agressiva nos seus investimentos.

De nossa parte, podemos ajudar numa composição de carteira de investimento, por exemplo. Acesse  o canal do banco digital do investidor e da investidora ou acompanhe conteúdos diários no nosso YouTube.

Alvaro Bandeira
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